Relato da ABD de Amapá e da Bahia sobre a Assembleia da ABD-N, no 23º Festival Internacional de Curta-Metragem de São Paulo

A Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-N) se reuniu em assembleia com as 27 afiliadas, em São Paulo, na Cinemateca Brasileira, dias 26 e 27 de agosto, integrando a programação do 23º Festival Internacional de Curta-Metragem de São Paulo (Kinoforum).

Dia 26, presidiu a mesa o vice-presidente da ABD-N, Clementino Junior, tendo como principal pauta tratada, uma apresentação da situação geral das ABD´s estaduais. Verifica-se, principalmente nos estados do Norte e do Nordeste, uma necessidade urgente de maior atenção por parte de políticas públicas para o audiovisual, atenção da ABD-N para fortalecer a luta das estaduais, maior articulação para entendimento das novidades advindas com a Lei 12.485 e o FSA, principalmente com o aporte de recursos para os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os 30% que a lei garante para essas regiões.

Os Núcleos de Produção Digital (NPD´s) entraram na pauta da discussão por apresentarem problemas em quase todos os Estados. Ficou acordado que no dia 28, em mesa de debate sobre o DOCTV com a secretária do audiovisual, Ana Paula Santana, faríamos uso da oportunidade para apresentar nossos questionamentos sobre os NPD´s. Neste dia também decidimos que faríamos uma carta à Petrobrás reafirmando a nossa surpresa e indignação pela retirada do curta-metragem de seus editais de apoio e fomento ao audiovisual no Brasil.

Dia 27, já com a presença do presidente Jaime Lerner, foi apresentado um relatório de gestão. Logo após, discutido se era possível e válido propor a unificação do mandato das gestões das ABD´s estaduais para 2 anos, podendo ser a diretoria eleita por mais um mandato. O vencimento da anuidade da nacional ficou com a data base 31 de julho de cada ano e o valor ainda estamos discutindo, pois há uma grande discussão em torno do assunto.Também foi discutida a retomada do programa DOCTV e a estratégia que a nacional vai usar para fazer pressão à SAV, cobrando a retomada urgente do projeto.Foi também solicitado o apoio das Abd´s estaduais para o envio de documentos das entidades, para inscrição da Nacional no CNIC e também para eleição do CNPC, através dos documentos, histórico das estaduais, documentação necessárias para concorrer na lista trípice que será entregue a SAV e posteriormente para a Presidenta Dilma, que escolherá nosso representante no Conselho nacional de políticas culturais.

ANCINE e a Lei 12.485

Glauber Piva, diretor da Ancine, apresentou a Lei 12.485 e pontuou a transformação que a lei promove tanto para o público,quanto para o realizador. Enfatizou a abertura das teles, o que também provoca umaabertura para a concorrência no mercado e quem vai ganhar com isso é o consumidor. A Lei também garante 3 horas e meia de conteúdo nacional em horário nobre nos canais fechados. Salientou que o Sule Sudeste já estão discutindo a lei há muito tempo e propondo o Plano dedesenvolvimento para o setor nas regiões, focado na lei e nos recursos da Condecine (Contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica). O Nordeste também já se reuniu com a Ancine,discutiram intensamente a lei e já fecharam acordo com o banco do Nordeste para gerir as linhas de crédito que a lei proporciona, enquanto que o Norte está muito atrás eprecisa fazer a lição de casa, ou seja, um diagnóstico levando em conta as diferenças e necessidade de cada estado, para então a ANCINE a partir desse diagnóstico investir num projeto que estimule o empreendedorismo dos realizadores, o desenvolvimento e sustentabilidade do mercado na região, num projeto que estabeleça de fato a profissionalização  do setor.

Reunião do Bloco Norte com a ANCINE / Reunião Bloco Norte, Nordeste e Centro-Oeste

As ABD´s do Norte se reuniram com Glauber Piva, na Cinemateca Brasileira. Na oportunidade, enfatizou-se a necessidade de se realizar um seminário do Norte para discutir a Lei. Sérgio Uchoa, da ABD Amazonas, mencionou a possibilidade de reuniras ABD´s do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em Manaus, durante o Festival Internacional de Cine, e que articularia com o Governo do Amazonas a infraestrutura que garanta a presença de todos os Estados. O Amapá pontuou a Semana do Audiovisual – SEDA e a importância da Ancine estar também na SEDA do Amapá, inclusive a presença da ANCINE fortalece institucionalmente para conseguir fechar os patrocinadores do evento.

Logo após, Norte, Nordeste e Centro-Oeste reuniram-se com a proposta inicial de que cada ABD reúna o coletivo, em seus Estados, para se produzir um diagnóstico do audiovisual local e então inserir num diagnóstico da região Norte que será entregue àANCINE no Seminário de Manaus.

Mesadebate o DOCTV

Para discutir o DOCTV estavam também presentes Ana Paula Santana, Secretária do Audiovisual; Renato Nery, da TvCultura;Pola Ribeiro, da ABEPEC; e Jaime Lerner, presidente da ABDNacional. Nery salientou a importância do programa e o quanto foi prejudicial o governo ter parado com o DOCTV. O Presidente da ABD nacional, Jaime Lerner, destacou a falta que o DOCTV faz para o realizador e para o audiovisual brasileiro, pois o projeto é um incentivo para o realizador, que tinha a garantia de seu doc ser exibido em rede nacional. Pola Ribeiro efusivamente defendeu o DOC TV, a ABEPEC e a ABD Nacional, e contrariou a secretária, ao afirmar que o projeto não está parado por falta de proponente, tal culpa foi imputada pela secretária à ABD-N e à ABEPEC. Pola colocou a ABEPEC às ordens para gerir o DOCTV e reafirmou que faltou vontade da SAV para que o projeto tivesse continuidade. Jaime Lerner ainda sugeriu que se a questão é orçamentária , pode articular para que a ANCINE garanta o DoCTv através do recurso da CONDECINE ou Fundo Setorial do Audiovisual – FSA. Pola garantiu apoio total, inclusive na gestão pela ABEPEC.  Abaixo, Ana Vidigal faz considerações ao coletivo do Amapá .

O NPD, aprovado para entrar em discussão, não entrou em pauta

Ana Vidigal – Pres. ABdeC-AP

Carolini Assis – Diretora Institucional ABD –Bahia

Pois bem, diante desse relato deixo minhas considerações em relação ao posicionamento do Norte, pontuando o Amapá. É imprescindível sermos práticos, temos pouco tempo para fazermosuma pesquisa profunda,mas sabemos que existe dados espalhados por nossos coletivos,temos também o mapeamento que saiu do I Semináriode Audiovisual do Amapá, são dados recentes, pois realizamos ano passado. Sugiro uma reunião com todo o coletivo do Audiovisual e acho que pode ser no MIS que é central , na quinta-feira à noite . Tuto, veja isto por favor e nos retorne.

O trem vai andar de qualquer jeito, a gente querendo ou não! O Audiovisual nacional está num processo irreversível de avanço e quem não acompanhar vai ficar pra trás. Os recursos da Lei através do CONDECINE são de milhões e todos estão de olho, as grandes produtoras, Tvs ..não vamos esquecer que são todos muito espertos!Estamos numa batalha e não podemos nos omitir. Acredito na diversidade das potencialidades do Amapá e no poder criativo dos realizadores independentes deste estado. Aguardo retorno de todos.

 

Ana Vidigal – conselheira do audiovisual do Amapá

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