Não há provas contra Dirceu, diz revisor do mensalão

BRASÍLIA, 4 Out (Reuters) – O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo (STF) Ricardo Lewandowski, revisor da ação penal do chamado mensalão, disse nesta quinta-feira que não há provas do envolvimento do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como mentor e “chefe da quadrilha” responsável pelo esquema.

Dirceu foi apontado pelo relator, Joaquim Barbosa, como “mandante” dos acordos para compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e teria “comandado” as ações de outros integrantes do esquema. O relator votou na quarta-feira pela condenação do ex-ministro por corrupção ativa.

Lewandowski disse que as “imputações não foram provadas” nos autos e que a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) não “deu-se o trabalho de descrever minimamente os delitos” dos quais Dirceu é acusado.

“A denúncia bem analisada como em boa parte dos casos não individualiza adequadamente as acusações imputadas ao réu e não descreve de forma satisfatória o liame subjetivo que uniria os integrantes da alegada trama criminosa, incluindo José Dirceu, cuja participação nos eventos é deduzida de ilações e simples conjecturas”, disse Lewandowski durante seu voto.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse na leitura da acusação que Dirceu foi mentor e líder do “grupo criminoso” responsável pelo esquema e que há provas “contundentes” da participação dele. Ele reconheceu, no entanto, que como todo “chefe de quadrilha” o petista não deixou rastros.

Lewandowski disse não haver “prova fundamental ou prova pericial” que comprove a participação de Dirceu no esquema.

“Não descarto a possibilidade que tenha sido até o mentor, mas o fato é que isso não encontra ressonância na prova dos autos”, disse o revisor.

A defesa de Dirceu nega que o petista tenha usado seu cargo para beneficiar empresas e diz não haver prova material para a condenação.

O advogado do ex-ministro, José Luís de Oliveira Lima, disse na quarta-feira, após o voto de Barbosa, que entregará um novo memorial da defesa, apresentando alguns dados apontados pelo relator.

Lewandowski já havia divergido do voto de Barbosa ao absolver o então presidente do PT José Genoino, que havia sido condenado pelo relator por corrupção ativa. Genoino e Dirceu integrariam o chamado “núcleo político” do esquema, ao lado do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, que foi condenado por ambos.

A sessão desta quinta-feira começou com o uso de um gerador de energia elétrica, já que o prédio do Supremo também foi afetado pelo apagão que atingia o Distrito Federal durante a tarde.

(Reportagem de Hugo Bachega e Ana Flor)

Reuters

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