Crise do combustível se agrava e preços disparam nos postos de Macapa

A reportagem procurou alguns gerentes de postos para saber quais os reais motivos para a falta do produto

O amapaense iniciou a semana com o pé esquerdo. Quem precisou abastecer o carro sem enfrentar filas e pagando um valor dentro da realidade de mercado no litro do combustível não conseguiu.
Apesar do Procon/AP na semana passada ter atuado coibindo aumentos abusivos nos preços, o problema voltou a se repetir esta semana. Dois postos chegaram a ser autuados sobre o aumento nos preços, porém, isso não foi suficiente para evitar que o abuso voltasse acontecer.
A reportagem procurou alguns gerentes de postos de combustíveis para saber quais os motivos que estão gerando a escassez nas bombas. Apesar de alguns não quererem falar oficialmente, levantamos informações que podem dar ideia das causas do problema.
Um dos gerentes entrevistados disse que o motivo da falta de gasolina é que o Brasil já não está dando conta de refinar o produto, em decorrência da grande demanda nos últimos anos.
Além disso, o racionamento acontece por conta do isolamento do Amapá, já que o combustível chega somente através de balsas, que por várias vezes chegam com atraso.
Outra explicação também dada de forma extra-oficial aponta para um suposto problema nos reservatórios da distribuidora que fica em Santana. “O reservatório com maior capacidade teve um problema e estamos utilizando apenas o reservatório menor.
No momento não temos como abastecer os postos por completo. Por isso é que quando chega gasolina nos postos logo acaba”, disse um gerente que preferiu não ser identificado.
O problema da fata de combustível vem provocando prejuízos não só para quem precisa chegar ao trabalho ou utilizar o veículo como transporte, mas também para quem depende do combustível como fonte de renda como é o caso dos taxistas e mototaxistas.
O taxista Rubens Souza, disse que o tempo na fila fez com que perdesse uma manhã de trabalho. “Eu não posso trabalhar sem gasolina, por isso não tenho como rodar, correndo o risco de ficar parado no meio de uma corrida”, relatou.
Ele ainda teve como chegar ao posto. Já outros ficaram pelo caminho. Além das filas de veículos, também houve espera para encher garrafas pets com gasolina. O autônomo Emílio Sérgio, 35, parou a quase 500 metros de um posto na Avenida Feliciano Coelho.
Problema nacional
A falta de combustível ocorre em várias cidades brasileiras. A escassez foi provocada pelo baixo nível dos rios, que dificultou o transporte de combustíveis.
Em setembro, o produto também faltou em Rondônia, porque o combustível vai de Manaus para Porto Velho pelo rio Madeira, que estava com nível muito baixo e como as balsas não passam, a gasolina ficou racionada. A distribuição também ficou escassa em Tocantins e no Paraná.
Segundo dados divulgados no fim de setembro o Brasil já enfrenta gargalos para abastecer os postos de combustíveis. Fatores como aumento do consumo, a falta de meios de transporte e infraestrutura são apontados para a construção de um cenário crítico em muitos estados.

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