Sarney montou o quebra-cabeça da sucessão de Macapá com Randolfe e Lucas

Chico Bruno

Entre o Natal e o Réveillon de 2011, o senador José Sarney (PMDB-AP), durante uma visita ao Amapá, precisamente na quarta-feira, 28 de dezembro, recebeu em sua casa macapaense o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o vereador eleito Lucas Barreto (PTB) para aparentemente comemorar o fim de ano.

Agora, passado o primeiro turno das eleições, ao lembrar o encontro ocorrido entre Sarney, Randolfe e Lucas, pode-se dizer que o convescote foi na verdade uma reunião de montagem do cenário das eleições municipais em Macapá e Santana, ao contrário das ilações tiradas a época de que o convescote foi para aparar arestas e mágoas entre Lucas e Randolfe.

Ali, naquele momento, articulou-se que Lucas faria uma aliança com o DEM em Macapá e não com o PSOL, mas que Randolfe em uma aliança branca apoiaria o candidato do PTB/DEM em Santana, eximindo-se o PSOL de lançar candidato a prefeito naquela cidade.

Maquiavelicamente uma jogada de mestre, pois mantinha a aura do “novo” na candidatura do PSOL em Macapá e com a perspectiva de quem fosse para o segundo turno levaria o apoio de um ou outro.

Trocando em miúdos, se o candidato do DEM, Davi Alcolumbre, fosse para o segundo turno teria o apoio do PSOL e a recíproca foi verdadeira com o PTB/DEM apoiando Clécio Luis na disputa contra Roberto Góes.

Para tudo dar certo, porta-vozes do convescote venderam a versão que o PSOL estaria querendo reeditar 2010, quando Randolfe subiu no palanque de Lucas Barreto, mas que este por estar descontente com Randolfe migraria para o apoio ao candidato do DEM.

Agora fica claro.

Em 2010, Sarney montou uma estratégia com Randolfe e Lucas para assumirem o governo do Amapá, mas foram atropelados pela Operação Mãos Limpas e o poder escapou-lhes das mãos com a volta do PSB ao poder.

Agora tiveram sucesso, pois o PSB não percebeu a tramoia, apesar de que para ganhar em Santana foi preciso “armar” um escândalo surreal em um motel usando para tanto uma denúncia vazia.

Episódio, semelhante ao que levou a cassação dos Capiberibe, até agora mal explicado a população de Santana, mas que pode ter consequências, se o PT recorrer a Justiça Eleitoral solicitando a anulação do pleito.

Resumo da ópera.

Tanto em 2010 como agora, Sarney deixou o PMDB ao lado dos Góes para isolar o PSB o seu objetivo principal.

Se não deu certo em 2010 deu agora, com o PSB fora do segundo turno.

Lucas, Sarney e Randolfe unidos partem para a próxima empreitada em 2014, pois essa eles levaram.

Em 2012 o objetivo foi atingido. Por isso, para Sarney tanto faz Roberto ou Clécio.

Afinal ele está com um pé em cada canoa.

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