Polémica: aliança ou adesão, o tema da hora no segundo turno da eleição

*Job Miranda

O segundo turno da eleição em Macapá traz à baila, com uma contundência e voracidade titânica, a discussão sobre o significado ou conceito de dois termos oriundos da atividade política, quais sejam, adesão e aliança. Tal discussão se dá por dois motivos: do atrito, da hora, entre PSB e PSOL, atrito este motivado pela recusa dos psolistas em aceitar uma aliança pública com os pessebistas [uma vez acreditarem, os psolistas, que: carreariam pra si enorme rejeição de amplas parcelas do eleitorado amapaense, inclusive de parcelas de seus próprios eleitores de primeiro turno; perderiam o discurso do novo (que os fazem competitivos); correriam risco de implodir a denominada Unidade Popular, e, por fim; perderiam a condição de não-misturados ao PSB, condição esta a lhes garantir diferenciação aos pessebistas para 2014 (para, assim, poderem fazer oposição ao governo, sem aquela pecha, se for o caso de fazê-la)].

O segundo motivo, da mencionada discussão, reside no acirramento do embate entre Clécio e Roberto na conquista do eleitor, do voto. Neste embate, partidários e apoiadores de Roberto fazem coro junto ao PSB; uma vez que, o PSB cobra posicionamento público e, mesmo, coerência ideológica do PSOL quanto à aliança. E, na cobrança, torna público de ter o PSOL se aliado às forças retrógadas e reacionárias da sociedade amapaense e da política brasileira (isto é, que o PSOL capitulou); isso, em alguma medida, impõe certo desconforto a Clécio. Os psolistas, por sua vez, dizem não ter feito qualquer aliança com o DEM e com o PSDB, mas, que, neste segundo turno, tais partidos aderiram à candidatura Clécio. E que, não estão fazendo nada de diferente do que os pessebistas fizeram outrora, em outras conjunturas, em outras eleições.

Não se objetiva, neste artigo, tematizar ou entrar no mérito da aludida polémica entre PSOL e PSB, seja ela uma falsa polémica ou uma polémica verdadeira, mas apresentar uma compreensão acerca de coligação partidária-jurídico-formal (o mesmo que aliança legal), coligação informal ou aliança branca (isto é, aquela que não põe o preto no branco, quanto à cor da fonte, das letras, e a cor do papal, isto é, aliança não posta no papel, não legalizada junto ao TRE) e o termo adesão.

Aliança. Na política aliança (como no matrimônio civil ou religioso, neste caso, simbolizada por um anel no dedo) pressupõe noivado com a finalidade de casamento, isto é, pressupõe negociação, acordo, “contrato”, convivência íntima (“morar junto”), cumplicidade no viver e no fazer, numa palavra, visa unir forças com vista a ganhar eleição e governar juntos. A aliança político-eleitoral, seja formal, jurídico-legal ou informal, coligação branca, tem o mesmo valor moral.

Com base nesta acepção, pode-se afirmar que, PSOL e PTB efetivaram aliança branca (coligação informal) em 2010, já que tais partidos dividiram o mesmo palanque tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ao que parece, do mesmo modo que em 2010, o PSOL firmara, agora, aliança branca com o PSDB, ainda no primeiro turno, deste 2012; isso, se verdadeira a informação de que o ex-deputado, ex-presidente da ALAP e ex-candidato ao governo amapaense Jorge Amanajás foi, mesmo, um dos principais articuladores da frente denominada Unidade Popular, na qual Jorge teria emplacado Alan Sales como vice, ainda que Sales pertença ao PPS. O senador Randolfe qualifica o atual relacionamento dos libertistas com o PSDB tão-somente como adesão dos peessedebistas ao PSOL. Quanto a isso, quer a verdade esteja com o Senador Randolfe ou com os críticos dele, será a história quem, muito em breve, nos dirá com quem ela, a verdade, está, ou estará.

Por hora, nos basta perceber que a polémica sobre questão, adesão ou aliança, só aparece no segundo turno, quando da declaração de apoio do DEM a Clécio. Nos basta também divisar que, adesão não se traduz em negociação. E ainda, que, o aderir se faz de modo unilateral e sem exigências, num compromisso incondicional de fazer campanha no paga-beijo (jargão da política) e no diluir-se, ainda que momentaneamente, no outro. É claro que o mencionado apoio dos democratas aos psolistas pode vir a se configurar uma adesão; mas, como já se registrou, só a história dirá. E somente dirá se ocorrer vitória de Clécio e, que, com ela, não emerja participação do DEM e do PSDB no governo e/ou permanência destes dois partidos no bloco político hoje hegemonizado pelo PSOL, pelo menos até 2014.

De outra forma, a participação do DEM na campanha de Clécio não terá qualquer problema, do ponto de vista ideológico, se ela for de fato pura adesão, o que significa apenas concordância dos democratas com o programa do PSOL e/ou com a visão de mundo do candidato, tão-somente isso; se tiver algo mais, deixa de sê-la.

Enfim, de um lado, estará a mera especulação, a manipulação com a intenção de enganar ou, de outro modo, por eliminação, estará a verdade e de outro lado, estará a bravata, a dissimulação ou, de outro modo, por eliminação, a verdade fática. É. A vida, então, se faz história; e a história é o que conta. É o que fica pra sempre. Ela, a história, nada mais é do que a revelação e manifestação do espírito do mundo.

*Job Miranda tem formação sociológica obtida na Universidade Federal do Pará, graduação em Pedagogia e pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior

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