Descaso: PMM confirma denúncias de medicamentos e equipamentos hospitalares abandonados em depósitos

vistoria clcio e equipe
vistoria clcio e equipe

Duas denúncias de descaso com o dinheiro público e com a população levaram técnicos da Secretaria de Saúde do Município (Semsa), da Vigilância Sanitária e da Guarda Civil Municipal aos depósitos onde estariam guardados os medicamentos. A visita para constatação do que foi relatado, com pedido de segredo quanto à fonte, aconteceu na manhã desta quinta-feira, 10.

Os técnicos confirmaram que nos dois locais havia grande quantidade de medicamentos que deveriam ter sido usados nas Unidades Básicas de Saúde da sede da capital e distritos.

Medicamentos, equipamentos como balança infantil, bebedouro lacrado, e equipamentos como autoclave, usado para esterilizar instrumentos, kit para exame de PCCU, soros, gel para utrassonografia, livros para orientação de agentes comunitários de saúde, documentos com termos que comprovam doações do Ministério da Saúde para o município, dentre outros materiais, foram encontrados.

Alguns medicamentos estão no prazo de validade, outros devem ser descartados. Há equipamentos que podem ser recuperados, outros não.

Causou indignação a quantidade de medicamentos que perderam o prazo de validade, como para hanseníase, tuberculose, diabetes, hipertensão e remédios como o paracetamol.

“É dinheiro jogado fora, são medicamentos e equipamentos caros, que deveriam estar salvando vidas e prevenindo doenças. A população padeceu por causa desse tipo de atitude. Não podemos permitir que fatos como esse volte a acontecer. Vamos apurar para que os responsáveis sejam punidos”, disse o prefeito Clécio Luis, que acompanhou a inspeção.

O primeiro depósito visitado fica no bairro Jardim Felicidade I. O proprietário fez a denúncia e relatou que em outubro de 2012 foi procurado por funcionários da Prefeitura de Macapá (PMM) para alugar o espaço. Com a promessa de que o contrato seria assinado, ele entregou as chaves do local e o material foi transferido. Ele procurou a atual gestão da Semsa para comunicar que no depósito estavam materiais hospitalares e que estava exalando um cheiro anormal, o que levou os profissionais até o depósito.

No bairro do Trem, outra denúncia causou a segunda vistoria. O galpão estava fechado, porém, o proprietário permitiu que os cadeados fossem arrombados porque não estava com as chaves em mãos. Dentro, mais demonstrações de descaso: foram encontrados caixas com espéculos para preventivos, bacias em inox, documentos oficiais da Secretaria e do Ministério da Saúde, prontuários de pacientes e outros.

A especulação de que materiais escolares estariam no local não procedeu completamente. Apenas carteiras quebradas foram achadas.

A secretária adjunta da Semsa, Daniela Pinheiro, informou que o Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado e será feita uma perícia para que as providências sejam tomadas e os responsáveis penalizados.

Mariléia Maciel

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