Educação difícil, até de madrugada

Elias Farias é Elias Farias é Servidor do MPU. Bacharel em Direito e Licenciado em Matemática
Elias Farias é Elias Farias é Servidor do MPU. Bacharel em Direito e Licenciado em Matemática

Que a programação da Tv brasileira é ruim, isso todos sabem.

Que as coisas mais úteis passam tarde (de madrugada mesmo) e não é na Globo, acho que isso também todos já perceberam.

Ontem (13.01.2013), no Programa do Roberto Justos (Roberto Justos Mais, da Record), que tratou sobre educação no Brasil e no Mundo, ao perguntarem ao Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, por que ele ainda não criou um personagem homossexual, Maurício demonstrou muito bom senso.

Afirmou que, apesar de ser o criador da Turma da Mônica, ele não trabalha só. Existem pessoas físicas e jurídicas que também decidem sobre o que criar e publicar, ou seja, são extremamente profissionais e executam projetos minuciosamente analisados.

Além disso, não há necessidade, para a clientela que trabalha (crianças), de aguçar o interesse por tal assunto. Totalmente oposto, por exemplo, ao interesse por um personagem cadeirante, que ele já criou.

No Brasil, muitos confundem democracia (Estado Democrático de Direito) com demagogia.

Que os homossexuais precisam ser respeitados como pessoas, isso qualquer outra pessoa minimamente educada sabe. Agora, daí começarmos a defender idéias apologéticas sobre assuntos da vida particular das pessoas parece um pouco exagerado.

O respeito ao Estado Democrático de Direito não está em divulgar a maconha ou o homossexualismo, mas em divulgar, por exemplo, que os representantes eleitos pelo povo não são os únicos culpados pelas mazelas do Brasil, mas também os que prestam concursos de provas e títulos. Nisso sim, há interesse público.

Duas férias (60 dias) por ano, aposentadoria e promoção como forma de penalidade, licença prêmio (no lugar de licença capacitação), não residir no local em que são lotados (na prática é isso que acontece), isso sim é desrespeito ao Estado Democrático de Direito. Sem falar na vitaliciedade, que em países da Europa nem existem mais há muito tempo.

Aliás, a chamada PEC da vitaliciedade (PEC 505/2010), teve pedido de retirada de pauta da CCJ da Câmara dos Deputados, pela Deputada Sandra Rosado (PSB/RN) (http://conamp.jusbrasil.com.br/noticias/100226108/pec-da-vitaliciedade-e-retirada-da-pauta-da-ccj-da-camara).

Mais voltando ao Roberto Justus, o programa ontem foi ótimo. Foram convidados o ex-jogador e hoje empresário Raí, o economista em educação (isso mesmo) Gustavo Ioschpe e teve a participação de um professor brasileiro que foi aprovado em quatro universidades de renome no mundo.

Perspicaz foi a constatação feita por Gustavo Ioschpe, com base em conhecimento empírico, – fez questão de frisar -, ou seja, coleta de dados estatísticos, e não necessariamente em lógica.

Segundo Ioschpe, a educação brasileira não avança devido à falta/pouquíssima demanda. Isto é, a sociedade, e principalmente as famílias, estão – se não satisfeitas -, ao menos resignadas com a educação, tanto pública, quanto privada, oferecida no Brasil.

Em uma pesquisa feita no Brasil, perguntando aos pais, qual nota dariam à escola dos filhos, a média foi 8 (oito). Por sua vez, as notas efetivas das escolas brasileiras, divulgadas pelo MEC, todos os anos, não passaram, em 2012, da média, 4 (quatro)/4,5 (quatro e meio).

Ou seja, os responsáveis por oferecer educação de qualidade não se sentem nem um pouco incomodados, culpados ou impulsionados a melhorar.

Com efeito, existe uma falsa percepção superavitária da sociedade em relação à educação. Isso já ocorre no Brasil como um todo, imagine-se no Amapá !

Tanto que é comum os pais relegarem a educação dos filhos a segundo plano, pondo-os em escolas públicas até a conclusão do ensino médio, que, infelizmente, ainda é pior que nas escolas privadas. Depois têm que pagar um faculdade particular, pois os filhos não conseguem passar nas públicas.

Confesso que fui dormir antes de o programa terminar, pois antes de ser tragado pelo sono, fui intimado a fazer silencio e ir deitar.

Mas é triste perceber que os melhores programas da Tv aberta brasileira ou são muito cedo, ou são muito tarde.

A exceção são as intervenções do BBB 13, na madrugada. Mas isso é na Globo. Claro !

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