Embrapa Amapá investe em melhoramento genético de várias espécies vegetais

Entre as pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no estado do Amapá, na área de agricultura em grande escala está o experimento de melhoramento genético de soja, e para a agricultura familiar estão os experimentos de melhoramento genético de morango, mangaba e palmito de pupunheira.

Soja – Conduzidas no Amapá pelo pesquisador Gilberto Yokomizo desde 2002, as atividades de pesquisa agropecuária com soja remetem a 1994, no contexto do esforço da Embrapa em introduzir o cultivo desta espécie em áreas tropicais. Atualmente, a pesquisa faz parte de um projeto coordenado pela Embrapa Soja, localizada no Paraná. As ações locais incluem duas atividades científicas. A primeira é fazer o comparativo do desempenho de oito cultivares de soja comerciais desenvolvidas pela Embrapa no campo experimental de Balsas (Maranhão), e que foram plantadas no Campo Experimental do Cerrado, localizado no km 45 da BR-156. A segunda é avaliar linhagens de sojas não comerciais (cruzamentos que ainda não foram selecionados) visando obter materiais superiores às cultivares comerciais e perfeitamente adaptadas ao Amapá.O pesquisador anuncia que as cultivares não comerciais de soja serão plantadas no Campo Experimental do Cerrado em abril deste ano, com a perspectiva de que venham florescer em julho. “O ideal é este período porque plantamos ainda na época de chuvas e colhemos no começo do período de verão amazônico”, explica Yokomizo. O pesquisador ressalta que o uso da cultivar “Tracajá”por um grupo de produtores resultou de explicações sobre os objetivos do projeto e quais os materiais que seriam utilizados. “Explicamos aos produtores que estavam sendo avaliadas cultivares desenvolvidas para uso em regiões tropicais, destacando que percebemos que a “Tracajá” apresentava maior estabilidade frente às variações ambientais e boa produtividade”. Informações técnicas detalhadas sobre o cultivo de soja no Amapá estão disponíveis em forma de comunicados e folder na biblioteca da Embrapa.

Mangaba – A pesquisa com mangaba é vinculada a um projeto liderado pela Embrapa Amapá. Esta frutífera faz parte da lista de ameaça de extinção, elaborada pelo Ibama. O Amapá possui populações de mangabeiras nativas no cerrado amapaense e uma amostra delas foi coletada pela Embrapa para formar o Banco Ativo de Germoplasma (BAG) no Campo Experimental do Cerrado, que é um procedimento para se conservar informações genéticas importantes para a pesquisa. A área ocupa 1,7 hectare, sendo composta de 239 plantas nativas e 72 recebidas da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado da Paraíba (Emepa). A colheita acontece nos meses de dezembro e janeiro, e as plantas e frutos são avaliados para efeitos comparativos. Por exemplo, no formato as mangabas nativas são mais arredondas em comparação com as mangabas da Paraíba; no tamanho as nativas são maiores mais avermelhadas, também apresentam maior teor de açúcar e são menos ácidas. No aspecto da planta as nativas crescem mais em altura e as mangabas da Paraíba em largura, sendo que as da Paraíba produzem cinco vezes mais quantidade de frutos.

Estes resultados foram obtidos durante a pesquisa para dissertação de mestrado em Desenvolvimento Regional (pela Universidade Federal do Amapá – Unifap) do engenheiro florestal Ary Camargo de Freitas, que foi orientado pelo pesquisador Gilberto Yokomizo. O trabalho acadêmico contém dados que caracterizam o Banco Ativo de Germoplasma de mangabeiras da Embrapa Amapá e brevemente estará disponível para consulta nas bibliotecas da Embrapa e da Unifap. Por ser uma espécie em fase de domesticação, há necessidade de mais pesquisas com mangabeiras para orientar a seleção de materiais com potencial para plantio comercial. O pesquisador Gilberto Yokomizo lembra que um aspecto importante é a perenidade da mangabeira e sua adaptação às condições climáticas do Amapá, tornando-se uma alternativa para a agricultura familiar, ao mesmo tempo em que contribui para diminuir a prática da agricultura migratória e evita a degradação dos recursos naturais.

Morango – Com relação a pesquisas com morango, o experimento surgiu a partir do interesse do pesquisador em testar e ajustar diferentes sistemas de cultivo para as condições de temperatura e umidade do Amapá, que são elevadas, inserindo a Unidade junto a rede de pesquisas com morangueiro do País, que necessitava de um local que representasse condições extremas de cultivo para esta espécie, para servir como ambiente contrastante em relação aos demais locais onde são instalados os experimentos, geralmente com clima mais ameno . “Recebemos mudas de cinco cultivares comerciais de morango da Embrapa Clima Temperado (SC) para as atividades de teste que iniciaram em setembro de 2011”. O primeiro plantio não sobreviveu, provavelmente porque estava em canteiros com cobertura de plástico e isso causou incidência de alta temperatura de calor nas plantas, observou Yokomizo. “Nesta segunda tentativa plantamos em vasos e deixamos debaixo da cobertura telada. As plantas sobrevivem até agora, mas sofrem ataques de fungos. A outra alternativa que temos é testar a hidroponia, onde as mudas sejam cultivadas exclusivamente em água e nutrientes, dispensando o uso de terra”, acrescenta o pesquisador. Não se sabe se haverá possibilidade de produção comercial de morango no Amapá, mas espera-se grande contribuição para futuras pesquisas de melhoramento genético com o morango com base nas informações que estão sendo geradas e enviadas para a Embrapa Clima Temperado, localizada em Santa Catarina.

Palmito – Outra pesquisa de melhoramento genético, conduzida pela Embrapa Amapá, envolve o palmito da pupunheira, que na prática tem sido uma alternativa ao palmito do açaizeiro. O pesquisador Gilberto Yokomizo observa que, pesquisas realizadas em campos experimentais da Embrapa, apontam vantagens da pupunheira para produção de palmito, em comparação com o açaizeiro. Entre as características promissoras estão a precocidade do primeiro corte do palmito, que pode ocorrer de 1,5 a 3 anos (posteriores cortes anuais), o fato do palmito não sofrer escurecimento após o corte, a existência de maior tempo de conservação entre o corte e o processamento do palmito, além de sua boa qualidade. “Esses dados apontam a viabilidade do palmito de pupunheira para o desenvolvimento da região Amazônica, com foco na agricultura familiar, principalmente por ocupar pequenas áreas, gerando um produto como o palmito processado que pode ser estocado para uso no período em que não há disponibilidade de outros produtos vegetais”. O cultivo de pupunheira visando produção de palmito pode ser utilizado na recuperação de áreas degradadas, possuindo uma produção média inicial aproximada de 750kg de palmitos por hectare (2.500 vidros de 600ml), com potencial para atingir até 2.250kg por hectare (7.500 vidros de 600 ml). No Amapá, as atividades de pesquisas com palmito de pupunheira fazem parte de um projeto coordenado pela Embrapa Florestas (PR) e consistem em avaliar e selecionar as plantas com maior produtividade de palmito que estão sendo cultivadas no campo da Embrapa localizado na Colônia Agrícola do Matapi (Porto Grande).

Dulcivânia Freitas

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