Cultivo e manejo de açaizal é tema de curso da Embrapa para extensionistas do Rurap e IEF

O açaizal manejado produz mais frutos e de melhor qualidade. Mas, para conservá-lo produtivo é preciso fazer a manutenção a cada dois anos, por meio de roçagem e retirada das palmeiras finas e com mais de 12 metros. Uma demonstração prática de manejo faz parte da programação do curso em cultivo de açaizeiros em terra firme e manejo de açaizais nativos de várzea, a ser realizado pela Embrapa Amapá de 4 a 8 de fevereiro deste ano. A capacitação é dirigida ao aperfeiçoamento de 40 técnicos de extensão de vários escritórios do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Instituto Estadual de Desenvolvimento Rural (Rurap). As palestras acontecerão no Hotel Equatorial, localizado no centro de Macapá (AP), e o treinamento prático em áreas de terra firme e de várzea do Campo Experimental da Embrapa em Mazagão e de produtores parceiros. Os ministrantes do curso são pesquisadores da Embrapa Amapá e da Embrapa Amazônia Oriental (Pará).

O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amapá, Joffre Kouri, explica que o objetivo desta capacitação é transferir conhecimentos e tecnologias visando o aumento da produção de frutos de açaí e também a manutenção da diversidade florestal no estuário amazônico. “As atividades serão desenvolvidas com a coordenação da Embrapa Amapá e constarão de exposições teóricas, práticas de manejo de açaizal de várzea com a intervenção em um bloco de 1.000m² e visita a uma área de plantio de açaizeiros em terra firme para observação do preparo da cova, adubação inicial e irrigação”, acrescentou Kouri.

PROGRAMAÇÃO – A programação do curso será iniciada às 8 horas da segunda-feira, 4, com uma apresentação do engenheiro florestal José Antônio Leite de Queiroz sobre a composição florestal na várzea do estuário amazônico. Ainda na manhã de segunda-feira, os técnicos participarão da apresentação sobre os riscos futuros de pragas e doenças de açaizeiros em sistemas de cultivos em terra firme e em sistemas manejados de açaizais nativos, tema a ser abordado pelos pesquisadores Cristiane Ramos de Jesus e Adilson Lima.

No período da tarde, os pesquisadores Nagib Jorge Melém Junior e Raimundo Pinheiro farão uma apresentação sobre as áreas do estado do Amapá que são proícias ao desenvovimento do açaizeiro, a partir dos aspectos do solo e clima, caracterização dos solos de várzea para manejo de açaizeiro e caracterização e manejo dos solos de terra firme para cultivo de açaizeiro.

A programação da tarde de segunda-feira será finalizada com a palestra da pesquisadora do Instituto Estadual de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (IEPA), Ediluci do Socorro Leôncio Tostes Malcher, que falará sobre boas práticas de colheita e pós-colheita de açaí.

O melhoramento genético do açaizeiro e a cultivar BRS Pará será o tema da palestra do pesquisador João Tomé de Farias Neto. Ele também vai falar sobre as técnicas de cultivo de açaizeiro em terra firme, com enfoque na abertura de covas, adubação e irrigação. Na oportunidade, o pesquisador João Tomé, que é da Embrapa do Pará, vai descrever o processo de produção da cultivar de açaí BRS Pará, lançada pela Embrapa Amazônia Oriental como resultado de um trabalho que iniciou em 1984, sob a liderança de Rubens Lima.

Os Sistemas Agroflorestais ou consórcios com açaizeiros em terra firme é o assunto a ser apresentado pelo engenheiro agrônomo Aderaldo Gazel, seguido do engenheiro florestal José Antônio Leite de Queiroz com o tema produção de mudas de açaizeiro. Na terça-feira o último tema será a descrição de processos produtivos e análise de custos de produção de açaizais para produção de frutos em áreas de várzea e em áreas de terra firme, a ser apresentado pelo pesquisador Jair Carvalho dos Santos.

De acordo com Joffre Kouri, na quarta-feira, 6, inicia a parte prática do curso, que segue até a sexta-feira, 8, último dia da programação. Haverá visitas técnicas a áreas de açaizais nativos, com e sem manejo, para fins de observação e estudos comparativos. “Também teremos uma visita ao Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa em Mazagão, localizado em área de várzea, e ao bloco experimental de plantio em terra firme, sempre com orientações práticas sobre irrigação, adubação e tratos culturais”.

A realização deste curso faz parte de um Termo de Cooperação celebrado entre a Embrapa Amapá e Governo do Estado, com o objetivo de de definir, planejar, coordenar e executar ações de transferência de tecnologias (TT) e inovações, programas de capacitação de técnicos extensionistas e agentes multiplicadores de TT, planos e programas no campo da Pesquisa Desenvolvimento. A programação foi elaborada a partir de demandas identificadas do Rurap e do IEF, e envolve práticas e teorias de conhecimentos técnicos e analíticos para qualificar as ações dos extensionistas junto aos agricultores e extrativistas familiares.

Dulcivânia Freitas

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