Indígenas da Amazônia sob a ameaça do genocídio

Militarização da questão indígena e possível liberação das terras indígenas à exploração mineral são debatidas na Ufam

Jornalista Elaíze Farias (de pé) disse existirem mais de 600 pedidos para pesquisa minerária nas terras dos ianomamis (Fotos: Euzivaldo Queiroz )
Jornalista Elaíze Farias (de pé) disse existirem mais de 600 pedidos para pesquisa minerária nas terras dos ianomamis (Fotos: Euzivaldo Queiroz )

O projeto de lei federal nº1610/96, batizado de “PL da Mineração”, foi classificado, nesta quarta-feira (10), como ameaça real aos povos indígenas da Amazônia e “a mais nova versão do genocídio indígena” caso seja aprovado pelo Congresso Nacional. A advertência é de um grupo que reúne indigenistas, cientistas sociais e jornalistas participantes da mesa redonda “O golpe de 65 e as ações dos militares na Amazônia”, realizado no auditório rio Solimões, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL),da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), como atividade do Comitê do Direito à Verdade e à Memória no Amazonas, emparceria com o Departamento de História da Ufam.

O “PL da Mineração” tramita em Brasília desde 1996. Atualmente, aguarda parecer da comissão especial da Câmara dos Deputados. Se for aprovado, vai permitir que empresas explorem recursos minerais em terras indígenas hoje protegidas. Mapeamentos nessas áreas realizados desde os anos de 1970 revelam que nela estão concentradas as maiores reservas de minérios.

Segundo a jornalista Elaíze Farias, apenas nas terras dos ianomâmis, existem aproximadamente 650 pedidos para estudos minerários feitos por empresas do setor. “Eu fiz um levantamento para uma reportagem (publicada no jornal A CRÍTICA), o qual indica que aproximadamente 80% das terras ianomâmi são foco de pesquisas para exploração de minérios. Parece até que isso tudo é um exagero, mas não é. Essa é uma situação crítica que os povos indígenas estão passando. (…). Essas pesquisas fazem parte de um novo projeto desenvolvimentista da região na América Latina”, disse Farias.

O coordenador do Comitê estadual do Direito à Verdade e à Memória, o indigenista Egydio Schwade, o assessor da Comissão Nacional da Verdade e consultor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Egon Heck, o professor de História da Ufam, ex-vereador Aloysio Nogueira e o diretor do ICHL, o professor de Filosofia Nelson Noronha, representando a reitoria da universidade, também participaram das exposições.

O professor de História, Aloysio Nogueira, disse que alguns dos sobreviventes de 1964 no Amazonas convivem com o medo de falar e que o desafio é convencê-los a falar porque os registros desse período são os da oralidade.

A Crítica

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