Atenção com as doenças causadas pelo lixo dos igarapés

A leptospirose é uma das doenças que mais preocupa os profissionais de saúde. Este ano, foram 88 casos no Amazonas, sendo 77 em Manaus.

Atenção com as doenças causadas pelo lixo dos igarapés. Foto: Jair Araújo
Atenção com as doenças causadas pelo lixo dos igarapés. Foto: Jair Araújo

Manaus – O acúmulo de lixo em igarapés e em lixeiras viciadas oferece risco à saúde das pessoas que residem nessas regiões. O contato com lixo e água contaminada por detritos eleva o risco de transmissão de doenças ocasionadas por vírus, bactérias, verminoses e parasitoses, presentes na matéria orgânica em decomposição e na água infectada.

A diretora-presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, destaca que a população pode adotar algumas medidas preventivas para reduzir a chance de adquirir patologias relacionadas ao lixo e alerta, ainda, sobre a importância de dar destino adequado ao lixo doméstico.

A diretora orienta as pessoas a manterem áreas residenciais livres de entulhos e, ainda, que não permitam a formação de lixeiras viciadas (acúmulo de lixo em terrenos baldios). “No caso dos igarapés e áreas alagadiças a atenção deve ser redobrada. Nesse período da vazante é quando as pessoas começam a limpeza de terrenos e têm contato direto com detritos, elevando as chances de contaminação e de acidentes com animais peçonhentos”, disse.

O ideal, segundo ela, é que não haja contato com os detritos. Se não for possível é indispensável o uso de equipamentos de proteção como botas e luvas, na hora da limpeza.

Graça Alecrim esclarece que lixeiras viciadas atraem insetos, mosquitos, baratas, ratos e animais peçonhentos, como serpentes, escorpiões e aranhas. São locais onde o mosquito transmissor da dengue também pode se reproduzir facilmente. “Uma das patologias a que as pessoas ficam expostas é a leptospirose, cuja bactéria está presente na urina do rato”, disse.

Leptospirose

A leptospirose é uma das doenças de notificação compulsória monitoradas pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Saúde (Susam), que registrou, no primeiro semestre desse ano, 88 casos no Amazonas, dos quais 72 em Manaus.

O chefe do departamento clínico da FMT-HVD, o médico infectologista Antônio Magela, destaca que outro problema ocasionado pelas lixeiras viciadas é o chorume, substância líquida resultante do processo de decomposição de matéria orgânica. “O chorume contamina o solo e pode gerar metais tóxicos pesados que oferecem risco à saúde humana”, explicou.

O infectologista observa que uma das formas de evitar a produção dessa substância de putrefação, especialmente em regiões próximas do convívio humano, é acondicionar o lixo em sacolas mais resistentes e em lixeiras adequadas, instaladas em local mais alto, dificultando o acesso de animais à matéria orgânica.

Caso não seja recolhido no mesmo dia pelo carro coletor, o lixo terá condições de ser recolhido no dia seguinte. Essa medida de colocar as sacolas em espaço apropriado evita, também, que o lixo seja levado pela água das chuvas ou das enchentes, para dentro dos igarapés.

D24am

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.