Parteiras do Amapá são tema de conclusão de curso da Universidade Mackenzie

Um grupo de alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, esteve no Amapá para coletar informações sobre o trabalho que as parteiras tradicionais desenvolvem no Estado. Com o tema "Histórias do nascer", o objetivo é conhecer e mostrar as várias formas de nascimento do brasileiro e as peculiaridades do Norte do país.

Os estudantes Amanda Chaves, Tabata Occhipinti, Felipe Cotrim e Letícia Carvalho escolheram como campo de estudo o Pará, o Amapá e São Paulo. A justificativa se dá pela diversidade cultural.

"O Amapá foi um dos estados escolhidos por executar um trabalho diferenciado, valorizando a profissão parteira. Viemos com um roteiro pré-estabelecido, mas aqui fizemos algumas alterações porque o material está bastante rico", observou Tabata Occhipinti.

O grupo conseguiu relatos de várias parteiras e visitou casas de algumas em Macapá, Santana e Ilha de Santana.

"Como exemplo, algumas parteiras acompanhavam todo o processo de gravidez. Quase conseguimos imagens de uma parteira indo a uma casa para virar o bebê na barriga da mãe. Outra curiosidade é que algumas parteiras davam chá de pimenta-do-reino para as mães e amarravam suas pernas, para dar-lhes forças na hora do parto", relataram os estudantes.

Eles também passaram cinco dias em Oiapoque visitando aldeias próximas. Foram recebidos e hospedados no Kumenê, situada cerca de sete horas de voadeira até o Manga, aproximadamente 18 quilômetros da sede do município, onde souberam que uma grávida estava próxima de ter o seu bebê.

Para os alunos esse foi o ponto alto do Amapá no documentário: a filmagem do nascimento do filho do cacique da aldeia Kumenê.

"Acompanhamos todo o processo. Apesar de sermos avisados que a mãe entrou em trabalho de parto às 2h, ela não sentia dor alguma; apenas às 9h, quando teve o bebê em cinco minutos", descreveu Letícia Carvalho.

Os alunos permaneceram no Amapá de 14 a 24 de janeiro. O material colhido aqui, assim como nos outros estados de estudo, será transformado em um documentário para apresentação na conclusão do curso, em março deste ano.

Além do apoio da Sesa, o grupo de alunos também teve o suporte da coordenadora das Parteiras Tradicionais no Amapá, Maria Luiza Dias, e da presidente da Associação das Parteiras no Oiapoque, Jane Bordalo Aguiar.

Conheça o Projeto Parteiras

O programa para capacitação, inclusão e reconhecimento das parteiras tradicionais do Amapá foi implantado em 1995, pelo Governo do Estado, no Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA). Entre 1995 e 2002, o programa ganhou parceiros como o Unicef, o Ministério da Saúde e a ONG Cais do Parto.

O Projeto Parteiras ganhou destaque mundial ao ser premiado pela Unesco, em 1998. Atualmente, é implementado pelo GEA e oferece suporte a mais de 2.500 parteiras em todo o Estado.

Ascom/Sesa

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