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Técnicos da Seicom orientam cooperativas contempladas com o projeto do Fundo Amazônia

Durante a última semana, técnicos da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) visitaram a Cooperativa Mista dos trabalhadores Agroextrativistas do Alto Cajari (Cooperalca), Cooperativa Mista Extrativista Vegetal dos Agricultores de Laranjal do Jari (Comaja) e Cooperativa Mista dos Produtores da RDS do Rio Iratapuru (Comaru), no município de Laranjal do Jari, distante 265 quilômetros de Macapá.

A visita dos agentes do Governo do Amapá às cooperativas que trabalham com a cadeia produtiva da castanha-do-brasil serviu principalmente para orientar as instituições a respeito de toda documentação necessária para garantir os recursos do projeto "Dinamização das Cadeias produtivas da Sociobiodiversidade", orçado no valor de R$ 40,3 milhões, e já aprovado em dezembro de 2013.

Os recursos são não reembolsáveis e fazem parte do Fundo Amazônia, gerenciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuja a origem é de capital estrangeiro da Noruega.

O objetivo principal do Fundo Amazônia nessa ação é valorizar os ativos florestais da várzea e da terra firme, através do desenvolvimento e transferência de tecnologia, certificação e fomento das cadeias da castanha-do-brasil, do açaí e da madeira.

A especialista em Engenharia de Alimentos da Seicom, Márcia Brenha, relatou que não foi fácil garantir esses recursos.

"O projeto já vem sendo trabalhado desde 2011, mas, só no final de 2013, foi aprovado pelo BNDES. A Cooperalca, Comaja e Comaru vão contar com quatro milhões e cento e sessenta e cinco mil para realizar a reestruturação e modernização das unidades de beneficiamento de castanha, porém as mesmas têm de estar qualificadas. Isso quer dizer que as cooperativas devem estar com sua documentação toda correta para receber os recursos", ponderou.

Os projetos do Governo do Amapá para as respectivas cadeias foram aprovados pela criteriosa seleção do BNDES, e encontram-se na fase de Plano de Aplicação de Recurso (PAR). Os técnicos da Seicom têm o prazo até o final do mês de março de 2014 para enviar toda a documentação das cooperativas. O cronograma de execução do programa é de três anos.

"Por isso viemos ao município de Laranjal do Jari explicar pessoalmente aos cooperados como funciona o PAR e ainda passamos uma lista de todos os documentos exigidos pelo banco para obter o recurso", declarou Márcia Brenha.

Castanha-do-brasil: a identidade dos extrativistas de Laranjal do Jari

Na região do Sul do Estado do Amapá, precisamente no município de Laranjal do Jari, o extrativismo da castanha ainda é passado de geração a geração. A atividade continua sendo ensinada de pais para filhos, que cresceram e aprenderam dentro da floresta a extrair a castanha-do-brasil, matéria-prima que garante a renda das inúmeras comunidades que sobrevivem da extração e comercialização desse fruto.

Além da castanha descascada, é possível obter os subprodutos, como o óleo e farinha. Ambos ricos em proteínas, lipídios e vitaminas.

A história da Cooperalca, Comaja e Comaru não se difere, todas essas instituições nasceram da vontade de lutar pela valorização da castanha e a própria atividade extrativista. O primeiro desejo atendido, já que a castanha é reconhecida internacionalmente pela sua riqueza de nutrientes.

Depoimentos dos presidentes das cooperativas

" A Cooperalca atua no mercado apenas com a castanha dry, que significa castanha seca com casca. Criamos a cooperativa em 2001, mas está difícil trabalhar nesse sistema, pois o mercado não está mais aceitando. Nós começamos a entrar nos castanhais a partir de março e ficamos colhendo castanhas até o mês de junho. Se conseguirmos deixar toda nossa documentação em dia para termos acesso ao recurso desse projeto, conseguiremos sair do método dry e modernizar nossa unidade de beneficiamento", enfatizou o presidente da Cooperalca, Adamor Braga.

A Cooperalca tem 105 membros, mas só 45 cooperados ativos e sua última produção foi de 50 toneladas.

A Comaja tem 38 cooperados e existe desde de 1986, dispõe de 130 trabalhadores divididos entre homens e mulheres que não fazem parte da cooperativa. A entidade atua no beneficiamento da castanha "in natura", produzindo amêndoas e azeite alimentício. Apresenta capacidade de processamento de cerca de 10 mil a 15 mil hectolitros por safra, sendo que a produção de castanha beneficiada é de 1.200kg/dia e o azeite de castanha de 200 litros/dia.

"Nós sabemos de todo o esforço que este governo está fazendo para que possamos crescer, pois nossa fábrica, nossa história está sendo reconhecida e valorizada para que possamos alçar voos mais altos, para que também possamos valorizar a nossa tradição que recebemos dos nossos pais", ressaltou o presidente da Comaja, Manoel de Jesus do Carmo.

A Comaru também vive a expectativa da reestruturação e modernização da sua unidade de beneficiamento de castanha. A cooperativa tem 58 cooperados e trabalha especificamente na produção de óleo, que é comercializado para uma grande marca de cosméticos brasileira, seu volume de produção por safra é de 1.600 hectolitros. A Comaru foi fundada em 1994.

Em um depoimento breve e simples, o presidente do Conselho Fiscal da Comaru, Sebastião Freitas Marques, se emocionou ao falar de sua atividade.

"Tenhos 49 anos, nasci e fui criado na beira do Rio Iratapuru, aprendi com meu pai desde criança a entrar na floresta e colher a castanha, cresci valorizando o que terra nos dá. Minha felicidade, hoje, é ouvir que fomos contemplados com esse projeto, graças a Deus, ao empenho do governo e também à nossa matéria-prima e ao nosso trabalho que foi reconhecido internacionalmente", contou.

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