Escola pública do Amapá confisca celulares e causa polêmica

Diretora diz que regra evita o baixo desempenho escolar dos alunos. Estudantes alegam que medida é exagerada.

Cassio Albuquerque

Estudantes utilizam celular apenas no horário do intervalo (Foto: Cassio Albuquerque/G1)
Estudantes utilizam celular apenas no horário do intervalo (Foto: Cassio Albuquerque/G1)

Uma medida que proíbe estudantes de usarem celular na sala de aula e corredores causou polêmica em uma escola pública localizada no bairro Santa Rita, Zona Sul de Macapá. A regra, que já é adotada há dois anos, agora está mais rigorosa. De acordo com a direção da instituição, quem for pego usando o telefone, terá o aparelho confiscado. A medida divide a opinião de pais e alunos.

A diretora da escola, Mary Cruz informou que a medida foi adotada para evitar o baixo rendimento dos alunos. A proibição ocorre apenas em horário de aula e nas trocas de professores. A uso do celular fica liberado nos intervalos que duram em média 15 minutos.

“Essa nova geração fica sempre conectada às redes sociais e aos aplicativos de conversa, mas no ambiente escolar essa prática não é aceita. Se os pais quiserem falar com os filhos devem ligar para o número do colégio”, enfatizou. A escola atende mais de 1.500 alunos do ensino médio e 80% deles têm idade entre 14 a 17 anos.

O G1 entrevistou estudantes do segundo e terceiro ano da escola e a maioria informou que não concorda com as regras estabelecidas.

“Sabemos que é errado usar o celular na hora das aulas, mas a escola não pode proibir o uso, pois tem muitos [estudantes] aqui que moram longe e precisam falar com os pais ou atender alguma chamada de emergência”, disse uma estudante de 17 anos.

“Eu já discordo pois os toques e a distração atrapalham a explicação do professor e os outros alunos que estão prestando atenção na aula”, declarou um estudante de 16 anos.

Os professores da instituição são orientados a apreender o celular do aluno que persistir em infringir a regra. Segundo a diretora, inicialmente é feita uma advertência verbal, na segunda vez o aparelho fica retido na coordenação pedagógica e é entregue no fim da aula. Se tiver uma terceira vez o estudante é encaminhado à diretoria e o celular só é devolvido após a vinda do pai ou responsável.

“Eu concordo em partes com a decisão, pois por um lado sei que a minha filha vai ter mais facilidade no aprendizado, mas por outro fico preocupado pelo fato dela não poder entrar em contato com a família em meio a violência da capital”, falou Cristian Lobato, pai de uma estudante.

Maria José Souza, de 45 anos, diz que a medida não irá resolver o problema. “As escolas devem utilizar esse recurso a seu favor. As redes sociais e aplicativos viciam até gente grande, imagina as crianças”, sugeriu a mãe de um aluno.

O professor de química José Ribeiro leciona há dois anos no colégio e disse que a medida teve bons resultados na média dos alunos. “Antes os alunos tinham dificuldades de concentração, pois era um olho no quadro e outro na tela do celular. Isso atrapalhava não só a minha aula mas também as outras disciplinas”, avaliou.

Em outra escola localizada no Centro de Macapá que atende mais de dois mil estudantes, a medida é utilizada há um ano. De acordo com a diretora, Ediléia Serique, os alunos ainda têm resistência para se adaptar a norma. “Nós fizemos a retenção de quase cem celulares em 2013. Mas em contrapartida, liberamos internet via wi-fi para que eles pudessem ter acesso à internet nos intervalo para que não ficassem tensos e desconcentrados. Agora cabe aos pais fazerem o controle necessário para que o uso não se torne vício”, alertou Ediléia.

Ao contrários de alguns estados, o Amapá não possui nenhuma lei que proíbe o uso do celular em colégios. De acordo com a secretaria do estado da Educação, Elda Araújo, as escolas têm autonomia para elaborar normas internas através do Plano Político Pedagógico (PPP). “É uma medida em que os pais, conselho de representantes e corpo técnico pedagógico debatem sobre alternativas que podem ser inseridas no ambiente escolar”, esclareceu.

G1 AP

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