Proposta de criação da CPI para investigar Petrobras vai ao STF

Oposição quer garantir CPI só para investigar compra da refinaria nos EUA. Governistas tentam emplacar CPI mais ampla, para investigar PSDB e PSB.

A decisão deve ficar para a semana que vem. Foto: Reprodução
A decisão deve ficar para a semana que vem. Foto: Reprodução

A criação de uma CPI exclusiva para investigar a Petrobras vai parar no STF. É tanta proposta de CPI, mas até agora nenhuma foi instalada. A quantidade de propostas é resultado da briga política entre governo e oposição. A decisão deve ficar para a semana que vem.

No fim da noite a oposição, irritada, anunciou: vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Quer tentar garantir uma CPI só da Petrobras, e não uma ampla como tentam emplacar os governistas.

“Se querem fazer, apurar metrô ou que quer que seja, façam outra CPI. Não sou nada contra isso. O que não se pode é usar a ampliação do foco inicial para sufocar, inviabilizar a apuração da Petrobras”, disse o senador Aloysio Nunes.

Foi uma resposta aos governistas e ao presidente do Senado. Renan Calheiros anunciou que uma CPI pode investigar vários fatos juntos, como Petrobras e também denúncias envolvendo obras de administrações estaduais do PSDB e PSB.

“Ao menos ela vai ter o direito de investigar não somente a Petrobras, mas várias outras coisas que têm uma dimensão do ponto de vista das denúncias, até maior do que a própria questão da Petrobras”, afirmou o senador Humberto Costa.

É o que pretendem os aliados do governo no pedido de CPI que apresentaram. Apesar de anunciado o entendimento, o presidente do Senado pediu que a Comissão de Constituição e Justiça dê a palavra final. Lá os governistas também são maioria. Por isso deve ser confirmada a tese de que a CPI pode sim ser ampla. Mas, na prática, todo esse trâmite adia o início de qualquer investigação.

Depois de passar o dia ouvindo as críticas da oposição de que defendeu interesses do governo, Renan Calheiros saiu do plenário se defendendo. “Você acha que o governo queria investigação? O Senado é que decidiu que tem que haver investigação e de ampliar os fatos”, disse.

Mas não quis responder quando, de fato, a CPI será instalada. O que já tem data marcada, é o depoimento do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Será dia 16 de abril, em uma comissão da Câmara.

O advogado dele disse que, em 2006, o conselho de administração da estatal, que era presidido pela então ministra Dilma Rousseff, teve acesso ao contrato de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com 15 dias de antecedência.

O secretário de comunicação da presidência negou. “Como presidenta do Conselho de Administração da Petrobras, a presidenta Dilma Rousseff não recebeu, repito, não recebeu previamente o contrato referente a aquisição da refinaria de Pasadena”, disse Thomas Traumann.

Veja o nó político: a oposição protocolou um pedido de criação de uma CPI mista, com a participação de deputados e senadores, para investigar a Petrobras. E o governo diz ter as assinaturas necessárias para a criação de uma CPI mista ampla, para investigar também denúncias relacionadas a partidos de oposição.

Jornal Floripa

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