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Crimes contra o meio ambiente movimentam R$ 473 bi e financiam guerras pelo mundo

Lista de atividades ilegais inclui tráfico de animais e minerais

O crime ligado ao meio ambiente, que movimenta R$ 473 bilhões (213 bilhões de dólares) anuais, contribui para o financiamento de grupos armados e terroristas e ameaça a segurança e desenvolvimento de vários países, declararam a ONU e a Interpol em um relatório publicado nesta terça-feira (24).

O tráfico de carvão gera entre 38 e 56 milhões de dólares ao ano aos islamitas shebab somalis, ligados à Al Qaeda, segundo o relatório.

O documento é publicado no segundo dia da sessão inaugural da nova UNEA (Assembleia da ONU para o meio ambiente), que reúne cerca de 1.200 delegados e especialistas em Nairóbi e que deve, entre outros temas, discutir a questão dos crimes contra o meio ambiente.

Já o comércio de marfim é a principal fonte de renda do LRA (Exército de Resistência do Senhor), a rebelião de Uganda que se espalha o terror no Sudão, República Centro Africana e RDC (República Democrática do Congo). Também praticado por outros grupos armados e milícias que operam na República Centro Africana, RDC e Sudão.

O crime organizado transnacional ligado ao meio ambiente inclui o corte ilegal de madeira, a caça furtiva e o tráfico de numerosas espécies, a pesca ilegal, as minas selvagens e resíduos tóxicos, explicam a ONU e Interpol.

“Além do dano ambiental imediato, o tráfico de recursos naturais priva as economias em desenvolvimento bilhões de dólares em receita para encher os bolsos dos criminosos”, ressalta Achim Steiner, diretor-executivo do UNEP (Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas).

De acordo com a ONU, este tráfico ameaça em muitos países “o desenvolvimento sustentável, os meios de subsistência, a boa governação e o Estado de direito, enquanto grandes somas chegam às milícias e grupos terroristas.”

“Apesar do aumento da consciência, as respostas atuais em termos de impacto estão longe de ser proporcionais à escala e crescimento da ameaça à vida selvagem e meio ambiente”, alertam a ONU e a Interpol.

R7

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