Fortaleza de São José volta abrigar integrantes da extinta Guarda Territorial do Amapá

Quem visita o Museu Fortaleza de São José de Macapá tem observado uma cena no mínimo curiosa. Homens fardados, a maioria com idade entre 65 a 90 anos, e com os cabelos brancos. São ex-integrantes da Guarda Territorial do Amapá que passaram a ocupar um espaço dentro do forte, desde o dia 30 de agosto. A Guarda foi extinta gradativamente a partir de 1975, com a criação da Polícia Militar do Território Federal do Amapá.

O retorno da Guarda a Fortaleza só foi possível, por meio de uma parceria entre a Associação dos Ex-Guardas Territoriais e seus Dependentes e a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A sala cedida funcionava o então comando geral da Guarda Territorial.

A ideia de pleitear o espaço tem a finalidade de promover reuniões entre os ex-militares da Guarda; desenvolver um trabalho de orientação voluntária junto aos visitantes e turistas sobre as funções e missões executadas pela corporação à época do Território do Amapá; e manter viva a história da Guarda para as futuras gerações.

E engana-se quem pensa que a missão da Guarda Territorial se resumia a manter a ordem e a segurança. A Guarda Territorial tinha múltiplas funções com atividades de carpintaria, pedreiro, alfaiate, marceneiro e mecânico, além da segurança da população.

"Muita gente ainda tem a ideia que a Guarda fazia apenas o trabalho de policiamento. Eram muitas as atividades que ajudaram a desenvolver o Amapá daquela época", recorda Agenor Neves de Barros, que aos 65 anos se diz orgulhoso de ter feito parte da Guarda Territorial.

De acordo com o comandante da Associação dos Ex-Guardas Territoriais, José Lúcio Pereira, ou comandante Lúcio, há um projeto sendo encaminhado de instalar, dentro do espaço cedido no forte, uma sala com fotos, fardamento, armas usadas pelos guardas e outros utensílios, bem como as missões desenvolvidas.

"A ideia é fazer com que as pessoas que visitam o forte, conheçam um pouco da história da Guarda e quem são estes briosos ex-militares", explica o comandante Lúcio. A escala de serviço da Guarda dentro do Museu Fortaleza é de segunda a domingo, das 07h às 18h.

A gerente do Museu Fortaleza, Aldinea Machado, assegura que a presença da Guarda representa um resgate histórico e o reconhecimento de um legado deixado por estes servidores à época do ex-Território do Amapá. "É mais uma grande conquista para o Museu Fortaleza e para a população local e turistas", admite.

Para o chefe do Patrimônio do Museu Fortaleza, Dolci Macedo, o retorno da Guarda foi um processo de amadurecimento bastante positivo. "É mais um atrativo dentro do Forte para estudantes, turistas e comunidade em geral. Há uma curiosidade natural das pessoas em perguntar quem são estes homens fardados. A partir daí, um pouco da nossa história vai sendo contada e perpetuada de geração em geração", afirma.

A Guarda Territorial foi criada através do Decreto Lei 5.839, de 21 de setembro de 1943. No Amapá, foi implantada pelo então governador Janary Gentil Nunes no dia 17 de fevereiro de 1944. Foram 31 anos, 9 meses e 9 dias prestando relevantes ações e serviços ao extinto Território do Amapá.

Ascom/Secult

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