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Amapá lança painel com IA e satélites para monitorar incêndios

Nova ferramenta acompanha focos de calor nos 16 municípios e cruza dados ambientais para apoiar ações de prevenção e combate

Uma nova ferramenta digital passou a ser utilizada no Amapá para acompanhar focos de calor e auxiliar na prevenção e identificação de incêndios florestais. O Painel do Fogo Amapá, apresentado nesta quinta-feira (3), reúne informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), imagens de satélites e recursos de inteligência artificial (IA).

Desenvolvido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o sistema permite o monitoramento dos 16 municípios do estado em tempo real, com atualização dos dados a cada 15 minutos. A proposta é facilitar a identificação de áreas que demandam atenção e fornecer informações para orientar a atuação das equipes responsáveis pela prevenção e resposta às ocorrências.

O painel também permite visualizar os focos de calor em diferentes áreas do território, incluindo Unidades de Conservação, Terras Indígenas, assentamentos do Incra e rodovias.

Dados são cruzados com informações do CAR

Uma das funcionalidades da plataforma é o cruzamento dos focos de calor identificados por satélite com informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O cadastro é uma base pública que reúne informações ambientais georreferenciadas de imóveis rurais e é utilizado para controle e monitoramento ambiental.

Com esse cruzamento, o sistema pode relacionar um foco de calor à propriedade localizada naquela área, apresentando dados como coordenadas e extensão do imóvel. A ferramenta também permite consultar ocorrências em áreas rurais e urbanas.

Outro recurso possibilita comparar a quantidade de focos registrada no período atual com os dados do mesmo intervalo do ano anterior. A análise pode auxiliar as equipes na identificação de mudanças na distribuição das ocorrências e no planejamento das ações.

Aumento dos focos no período analisado

Um dos primeiros levantamentos apresentados pelo painel aponta crescimento no número de focos de calor registrados no estado.

Entre 1º de agosto e 3 de setembro de 2026, foram identificados 68 focos de calor no Amapá, enquanto no mesmo período de 2025 haviam sido registrados 14.

Calçoene concentrou a maior quantidade de ocorrências, com 36 focos, seguida por Tartarugalzinho, com 13 registros.

Os números são obtidos a partir de dados de satélite e representam registros de focos de calor, que são utilizados como indicadores para o monitoramento de possíveis queimadas e incêndios. A identificação de um foco, isoladamente, não significa necessariamente que exista um incêndio florestal de grandes proporções.

Tecnologia como apoio à prevenção

Além do acompanhamento em tempo real, o Painel do Fogo Amapá permite a geração de relatórios técnicos e a organização das ocorrências por município e localização.

Segundo a Sema, a integração das diferentes bases de dados busca ampliar a capacidade de antecipação das equipes, permitindo que informações sobre localização e características das áreas sejam analisadas antes da adoção de medidas de campo.

A ferramenta também está disponível para órgãos envolvidos na resposta a ocorrências, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

A secretária de Meio Ambiente, Taisa Mendonça, afirmou que a proposta é utilizar os dados para antecipar situações de risco e auxiliar produtores rurais na adoção de medidas preventivas.

A iniciativa integra as ações de prevenção adotadas pelo Estado para o período de estiagem e ocorre em um cenário de atenção aos possíveis efeitos do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.

Com atualizações frequentes e o cruzamento de dados ambientais, a plataforma pretende concentrar em um único sistema informações que possam ajudar na identificação de áreas de atenção e no direcionamento das ações de prevenção e combate a queimadas e incêndios florestais no Amapá.

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