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Pinacoteca de São Paulo revisita Macunaíma pelo ponto de vista indígena em nova exposição

Mostra coletiva Macunaíma é Duwid atribui novas perspectivas ao personagem de Mário de Andrade por meio de narrativas contadas pelos povos originários

 São Paulo, 24 de março – A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta Macunaíma é Duwid, exposição que revisita criticamente a obra Macunaíma – o herói sem nenhum caráterde Mário de Andrade, a partir de um conjunto artístico e documental do modernismo brasileiro, em diálogo com produções de artistas indígenas contemporâneos. A exposição acontece no 4º andar do edifício Pina Estação a partir de 28 de março, e tem curadoria do artista e ativista indígena Gustavo Caboco.

Com cerca de 100 itens, entre pinturas, gravuras, esculturas e documentos, a exposição conta com trabalhos de artistas e pensadores dos povos do norte do Brasil, integrantes das etnias Wapichana, Makuxi, Tauperan, Akawaio e Patamona. A obra de Mário de Andrade, que completa cem anos em 2028, teria se inspirado em Duwid – força criadora do mundo nas tradições de diversos povos – para escrever Macunaíma, personagem que se consagrou como herói da literatura modernista.

“Na ficção modernista e em seus desdobramentos, Macunaíma foi submetido a sucessivos processos de descontextualizarão: foi batizado, tornou-se Exu, virou Jurupari, Watunna, Karaiwe. A totalidade dessas produções, no entanto, raramente foi vista ou acessada por pessoas indígenas – tampouco pensada para elas”, conta o curador.

Sobre a exposição

A primeira sala da mostra, intitulada Mário de Andrade, o artista. Macunaíma, a ficção, se dedica a pensar criticamente o modo como o modernismo brasileiro tomou posse de Macunaíma, e de como Mário de Andrade e suas construções de imaginários vem influenciando gerações desde o século XX. Na galeria expositiva estão reunidas obras de artistas célebres do modernismo brasileiro, como Carybé e Lasar Segall, documentações do cinema e trechos de versões de Macunaíma ao longo do tempo, como um trecho do filme dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, e imagens da montagem de Macunaíma do diretor Antunes Filho. Estão expostos também desenhos realizados pelo próprio Mário de Andrade, em uma faceta menos conhecida como artista visual.

Para o povo Wapichana, é o movimento de Duwid/Makuna’imî que produz o mundo humano, a partir de um princípio de desordem. Mas é ele também quem concede o riso e a arte, vista nas pinturas rupestres encontradas nos campos e montanhas de Roraima. A segunda sala da mostra, Antibatismo de Duwid e pussanga da pedra, trata das respostas às tentativas de catequização cultural decorrentes do processo colonial. Antibatismo, nesse contexto, significa dar um passo atrás – um passo de Duwid – para olhar para aquilo que foi renomeado/batizado. A sala parte da fricção entre imagens muito conhecidas da história da arte, como o Evangelho nas selvas (1893), de Benedito Calixto, na qual um padre batiza uma onça, em contato direto com trabalhos que botam em cheque a ideia de batismo, como a obra Antibatismo de Makunaimî e pussanga de pedra (2019-22), de Gustavo Caboco.

Na última sala da exposição estão obras comissionadas pela Pinacoteca, resultado do grupo de estudos Ajuri, formado no segundo semestre de 2024. Concebido por Gustavo Caboco, o grupo reuniu pensadores, artistas, pesquisadores e ativistas indígenas de Roraima, com o objetivo de definir conceitualmente a exposição. Os trabalhos expostos trazem um reconhecimento de como esses grupos se enxergam dentro de suas próprias narrativas, levando em conta questões fundamentais como crise ambiental e a militância contra a poluição dos rios, demonstrando que a vida política e a luta por direitos territoriais são indissociáveis das histórias desses povos.

Macunaíma é Duwid tem patrocínio da J.P. Morgan na cota Ouro.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO:     

Pinacoteca de São Paulo  

Edifício Pina Estação | 4º andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)   

Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso 

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3 

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