Praça do Equinócio vai homenagear imigração japonesa no Amapá
Espaço em Macapá passa por revitalização e terá monumentos orientais, área de lazer e homenagem às famílias japonesas que chegaram ao estado em 1953.
A história da imigração japonesa no Amapá ganhará um espaço de preservação da memória e valorização cultural em Macapá. Localizada no bairro Jardim Marco Zero, a Praça do Equinócio passa por obras de revitalização que incluem monumentos inspirados na arquitetura oriental e homenagens às famílias que chegaram à região na década de 1950.
O projeto contempla uma área de 3.528 metros quadrados, na Rodovia Josmar Pinto, e prevê a instalação de estruturas culturais, equipamentos de lazer e espaços de convivência. A proposta também busca transformar a praça em um ponto de encontro para a comunidade nipo-amapaense e para a realização de atividades culturais abertas à população.
A obra é executada pelo Governo do Amapá, por meio da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf), e tem participação da Associação Nipo-Brasileira do Amapá (Anibrap), responsável pela manutenção do espaço.
Uma história que começou em 1953
A presença japonesa no Amapá está ligada ao movimento migratório ocorrido após a Segunda Guerra Mundial. Em meio às dificuldades econômicas enfrentadas pelo Japão, famílias deixaram o país em busca de novas oportunidades na Amazônia.
Em 1953, um grupo de imigrantes desembarcou no então Território Federal do Amapá. Ao todo, 59 famílias chegaram em três levas, atraídas pelas possibilidades de trabalho relacionadas à exploração da borracha e à produção de alimentos.

Entre essas pessoas estava Keiko Meguro, que tinha apenas quatro anos quando deixou o porto de Kobe, no Japão, acompanhada da família.
Hoje, aos 77 anos, Keiko é uma das referências da comunidade japonesa no estado e idealizadora da proposta de criação de um espaço público dedicado à memória dos imigrantes.
“Por muitos anos segui persistente nesta ideia de um espaço público que simbolizasse nossa presença e trajetória. Essa será uma homenagem singela e muito importante para a memória dos imigrantes e do estado, é uma forma de valorizar a história, a cultura e o nosso legado”, relatou Keiko.
A iniciativa representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de mais de sete décadas, marcada pela integração entre as tradições japonesas e a sociedade amapaense.
Monumentos vão preservar a memória dos pioneiros

Um dos principais elementos do projeto será a construção de um torii, portal tradicional da arquitetura japonesa, geralmente associado à entrada de santuários xintoístas e à passagem para espaços considerados sagrados.
A praça também receberá lanternas ornamentais, postes com características orientais, esculturas e outros elementos que remetem à cultura japonesa.
Outro destaque será um monumento de granito com inscrições em letras douradas, no qual serão registrados os nomes dos chefes das famílias japonesas que chegaram ao Amapá em 1953.
A proposta é preservar a identidade dos primeiros imigrantes e permitir que as novas gerações conheçam parte dessa história.
Além da praça, Keiko Meguro desenvolve outros projetos dedicados à memória da imigração japonesa, incluindo um livro e um documentário sobre as famílias que se estabeleceram no estado.
Praça terá espaços de lazer e convivência
Além dos elementos culturais, a revitalização prevê melhorias na infraestrutura para atender moradores e visitantes.
O projeto inclui um espaço infantil com balanço triplo, gira-gira e escorregadores de madeira. Também serão instalados oito bancos de madeira e alvenaria, lixeiras destinadas à coleta seletiva e três estações de hidratação em aço inox.
As intervenções buscam ampliar as possibilidades de utilização da praça, reunindo atividades recreativas, convivência comunitária e valorização do patrimônio cultural.
A expectativa é que o espaço também passe a integrar os pontos de interesse turístico de Macapá, especialmente para visitantes interessados na história da formação cultural do Amapá.
Comunidade japonesa pretende realizar eventos culturais
A Praça do Equinócio foi o primeiro espaço público de Macapá adotado pela Associação Nipo-Brasileira do Amapá (Anibrap), entidade dedicada à preservação e à divulgação das tradições japonesas.
A associação ficará responsável pela manutenção da área e pretende utilizar o local para promover atividades culturais.
Segundo a presidente da Anibrap, Rosana Oda, a programação deverá incluir eventos tradicionais da comunidade, entre eles a Semana da Cultura Japonesa, que conta com apoio do Consulado do Japão.
“A associação fará a manutenção da praça para preservar o ambiente. Além do mais, estão programados muitos eventos tradicionais da cultura japonesa que vão acontecer neste lugar”, afirmou Rosana.
A utilização do espaço para atividades culturais poderá aproximar a população de manifestações artísticas, costumes e tradições que fazem parte da história da comunidade japonesa no Amapá.
Um espaço para conectar gerações

Mais do que uma área de lazer, a Praça do Equinócio deverá funcionar como um local de referência para a memória da imigração japonesa no estado.
A homenagem às famílias pioneiras também destaca a participação de diferentes comunidades na formação social, econômica e cultural do Amapá.
Ao reunir monumentos históricos, símbolos orientais e espaços de convivência, o projeto pretende estabelecer uma ligação entre o passado dos imigrantes e as novas gerações de descendentes.
Fonte: Agência Amapá/Seinf
Foto de capa: Arquivo Pessoal

