Para OCDE, “riscos relacionados aos acontecimentos políticos são grandes”

Entidade afirma que reforma da Previdência é “urgente” e prevê crescimento do PIB brasileiro de 2,2% neste ano, abaixo do mercado e do governo

Três anos após fazer um diagnóstico sobre a economia brasileira e fazer uma série de recomendações, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulga nesta quarta-feira (28/2) um novo relatório que avalia alguns avanços, como a queda da inflação e do desemprego, mas mostra que os principais problemas que travam o crescimento persistem: a produtividade do país é baixa e a mão de obra é pouco qualificada; os entraves para o comércio persistem e o país não conseguiu fazer nenhuma parceria nova relevante; a carga tributária continua elevada e o empreendedor continua gastando quase duas mil horas para pagar imposto; a taxa de investimento no país mantém-se entre as mais baixas entre as economias da Organização; a infraestrutura é precária e o quadro fiscal continua preocupante.

Já as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro estão melhores do que as de 2015, quando a entidade mostrava que o país havia mergulhando em uma recessão. No novo relatório, a OCDE afirma que o país precisa melhorar a produtividade e o bem-estar social. Faz previsões de altas de 2,2% e de 2,4% para o PIB deste ano e do próximo, que são mais moderadas do que as do governo e que as mais otimistas do mercado, de 3% e 3,7%, respectivamente.

No entanto, o alerta da OCDE sobre essa retomada é contunde, pois avisa que o cenário político preocupa. “Os riscos relacionados aos acontecimentos políticos são grandes”, afirmou o estudo. Segundo o documento, entre os riscos relativos a essas projeções está a incapacidade de implantar as reformas planejadas, por exemplo, o necessário ajuste fiscal. “Se o novo teto de gastos não for seguido, uma dinâmica fiscal insustentável poderia reduzir a confiança e disparar a volta da recessão”, alertou o estudo que chama atenção para o desequilíbrio das contas públicas. “A deterioração das contas fiscais reflete o caminho insustentável de gastos primários crescendo quase três vezes mais rápido do que o PIB ao longo da última década”, afirmou o documento.

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