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MP-AP denuncia suspeito por feminicídio de ex-miss morta na zona rural de Macapá

Denúncia aponta histórico de violência doméstica, motivação por ciúmes e acolhimento institucional aos familiares

O Ministério Público do Amapá (MP-AP) apresentou denúncia criminal por feminicídio contra Alciderico Santos Moreira, acusado de matar a companheira, Benedita de Jesus Barroso da Costa, conhecida como Paula, em um crime que causou comoção social em Macapá. O homicídio ocorreu no último domingo (25), em um estabelecimento comercial localizado no Ramal do Bonito, Km 15 da BR-210, na zona rural da capital.

De acordo com a denúncia protocolada pela 2ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, a vítima foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça, em contexto de violência doméstica e familiar. O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por ciúmes, sentimento de posse e disputa patrimonial, além de ter sido praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima.

As investigações apontam que Benedita vivia um ciclo contínuo de violência, marcado por agressões físicas, ameaças reiteradas e violência patrimonial. Parte desse histórico foi registrada em mensagens de áudio anexadas ao processo. Enfermeira de formação, Benedita também participou de concursos de beleza, tendo sido eleita miss, e deixou dois filhos, agora órfãos.

A denúncia inclui ainda a imputação do crime de porte ilegal de arma de fogo. O MP-AP requereu que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri e solicitou a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos morais causados à família. Em razão da gravidade dos fatos, o órgão ministerial optou por não propor acordo de não persecução penal.

No mesmo dia da apresentação da denúncia, promotores de Justiça se reuniram com os pais da vítima e outros familiares na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro do Araxá. O encontro teve caráter de acolhimento institucional, com o objetivo de ouvir os familiares, prestar solidariedade e esclarecer os próximos passos do processo judicial.

Durante a reunião, os membros do Ministério Público reforçaram o compromisso com a responsabilização do acusado e informaram sobre a possibilidade de atendimento pelo Centro de Atendimento às Vítimas “Nós Pertencemos” (CAVINP), serviço que oferece apoio psicossocial, orientação jurídica e acompanhamento às vítimas indiretas de crimes violentos.

O caso se enquadra no artigo 121-A do Código Penal, que trata do crime de feminicídio, caracterizado pela morte de mulheres em razão da condição do sexo feminino, especialmente no contexto de relações íntimas de afeto. O Ministério Público reafirmou que atuará com rigor e sensibilidade diante da gravidade do crime e de seu impacto social.

Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá

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