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Endividamento bate recorde no país e reflete no Amapá

O percentual de famílias endividadas no Brasil alcançou 80,4% em março de 2026, renovando o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado supera o registrado no mesmo período do ano passado e reflete a continuidade do uso do crédito pelas famílias.

Apesar do avanço do endividamento, os indicadores de inadimplência apresentaram estabilidade no mês, permanecendo em 29,6%, ainda acima do observado em março de 2025 (28,6%). Já o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso recuou para 12,3%, sinalizando leve melhora na capacidade de pagamento dos consumidores.

Outro dado positivo foi a redução do percentual de pessoas que se consideram muito endividadas, que caiu para 16,0%. Além disso, houve diminuição no comprometimento da renda, com média de 29,6%, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. O cenário também indica alongamento dos prazos das dívidas, o que tem contribuído para aliviar a pressão sobre o orçamento familiar.

A análise por faixa de renda mostra que o aumento do endividamento ocorreu em todos os grupos, com destaque para as famílias de maior renda. Por outro lado, a inadimplência apresentou recuo principalmente entre as famílias de menor renda, indicando maior controle financeiro nesse segmento.

De acordo com a CNC, o cenário de março aponta para um leve alívio para as famílias, uma vez que o aumento do endividamento não resultou em maior inadimplência. A expectativa é de que o endividamento continue avançando no primeiro semestre de 2026, enquanto o comportamento da inadimplência seguirá condicionado a fatores como inflação e custos de itens essenciais, a exemplo de energia e combustíveis.

“Os dados da CNC mostram que o endividamento segue em alta no país, atingindo um nível recorde, mas com sinais de maior organização financeira das famílias. No Amapá, esse movimento também tende a se refletir, especialmente pelo uso do crédito como alternativa para manutenção do consumo. Ao mesmo tempo, a estabilidade da inadimplência e a redução no percentual de famílias sem condições de pagamento indicam um leve alívio no orçamento, com dívidas mais alongadas e melhor distribuídas ao longo do tempo”, avalia a gerente do Instituto Fecomércio e economista, Beatriz Cardoso.

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