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Do sertão ao Amapá: Patativa, o poeta do Ceará

Em Macapá, Patativa do Assaré é revisitado por Ramon Cristóvão, Izabela Wégila em uma vivência artística que acontecerá no período de 5 a 8 de janeiro no Museu Fortaleza de São José de Macapá.

Ramon Cristóvão, é artista amapaense autônomo que desenvolve pesquisas nas áreas da música, teatro e literatura. A artista cearense Izabela Wégila, é pesquisadora e dançarina no Laboratório de Práticas Culturais Tradicionais – MiraIra e atriz pesquisadora no Grupo Beco dos Contadores, atualmente com Espetáculo Musical No Largo do Pixinga. Ambos residem em Fortaleza (CE) onde cursam Licenciatura em Teatro do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. Nascido em Assaré, no interior do Ceará é uma das principais figuras da poesia nordestina do século XX.

A obra de Patativa do Assaré se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória do poeta, capaz de recitar qualquer um de seus textos, mesmo após os noventa anos de idade.

A representação cultural da obra de Patativa ultrapassou o campo da Literatura, em 2007 chegou ao cinema por meio do documentário “Patativa do Assaré – Ave Poesia” dirigido pelo cineasta Rosemberg Cariry que apresenta a saga do poeta. História de vida, também retratada em “Concerto de Inspinho e Fulô”, da Cia. do Tijolo (SP) que em 2011 circulou no Amapá. Grupos locais, também já se debruçaram na obra do poeta nordestino desde 2012, após uma extensa pesquisa no universo poético, a Cia. Tucuju apresentou “Patativa – Verbo poético” em 2015.

Patativa do Assaré também inspirou músicos da velha e da nova geração, ganhou biografias, estudos em universidades estrangeiras, dentre elas a Sorbonne onde é estudado na cadeira de Literatura Popular Universal.

“Realizar uma vivência artística tendo como ponto de partida a obra de Patativa é um desafio de preencher lacunas do processo de transcrição da literatura oral para a escrita, pois nesse processo sua obra perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.)”, explica Ramon Cristóvão.

Segundo, Izabela Wégila, a vivência propõe estudos da literatura, musicalização, expressão corporal, jogos teatrais e outras técnicas do teatro, o resultado esperado é um mergulho na memória deste ícone da cultura popular brasileira, ao término da vivência nossa pretensão é desenvolver um exercício final como culminância dos quatros dias de oficina.

O público – alvo desta vivência artística são atores, acadêmicos do curso de letras, teatro e pessoas interessadas na literatura e cultura popular brasileira. Serão disponibilizadas 25 vagas e as inscrições poderão ser realizadas no site em http://goo.gl/forms/Z9NRSCY3Rs ou pelo telefone 96 98116-7007 ao custo de R$ 30.

Paulo Rocha

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