Leucemias agudas afetam o sistema imunológico, provocam anemia e aumentam o risco de sangramentos

As leucemias são doenças malignas dos glóbulos brancos chamados leucócitos, caracterizadas pelo acúmulo de blastos que são células leucocitárias jovens, que não exercem a função de defesa do organismo contra agentes infecciosos.

As manifestações clínicas das leucemias agudas estão relacionadas à infiltração da medula óssea e de outros tecidos (baço, linfonodos, pele, sistema nervoso central, entre outros) por estas células imaturas denominadas blastos.

No hemograma as principais alterações são: anemia (queda dos glóbulos vermelhos) , leucopenia (leucócitos baixos) ou leucocitose (leucócitos elevados) e plaquetopenia (plaquetas baixas). Como consequência da anemia, pode ocorrer fadiga, palpitação e palidez cutâneo-mucosa. Como o sistema imunológico é deficiente devido a intensa produção de blastos, esses pacientes apresentam alta susceptibilidade a infecções graves que podem ocorrer nos mais variados sítios ( orofaringe, pulmões, trato urinário, gastrointestinal, entre outros). Uma apresentação clínica muito comum nas leucemias agudas é o surgimento de hematomas sem causa aparente pelo corpo. A diminuição do número de plaquetas pode provocar tendência a sangramentos espontâneos, cuja gravidade dependerá do grau de plaquetopenia e do local de sangramento. É importante lembrar, que em alguns tipos de leucemias agudas podem ocorrer sangramentos graves devido a distúrbios de coagulação somados a queda plaquetária.

Outros sintomas como cefaleia (dor de cabeça), dor óssea e vômitos podem estar associados ao quadro.

As leucemias podem ser classificadas em agudas ou crônicas e neste texto daremos ênfase às leucemias agudas ( LA).

Segundo dados do INCA – Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – em 2012 foram registrados no Brasil cerca de 8500 casos de leucemia ( aguda e crônica ). Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia em homens é considerada a quinta neoplasia mais frequente no norte do país ( 3/100 mil habitantes ).

A causa do surgimento ainda é desconhecida, porém existem alguns fatores de risco que aumentam as chances de desenvolver a doença, como:

– exposição à radiação: observada após estudos com sobreviventes a acidentes com bombas atômicas e reatores nucleares, que mostraram que a exposição à radiação ionizante aumenta o risco de desenvolver leucemias agudas;

– exposição a produtos químicos: produtos quimioterápicos (pacientes que foram submetidos a tratamentos quimioterápicos por outras neoplasias ), além de outros produtos químicos como o benzeno, usado nas indústrias de borracha, refinarias de petróleo, fábricas de produtos químicos, fabricação de gasolina e sapatos, e também presente na fumaça de cigarro, produtos de limpeza, colas, detergentes, material de arte, entre outros, podem aumentar o risco de desenvolver leucemias agudas;

– infecções virais: a infecção pelo vírus HTLV-1 pode causar um tipo raro de leucemia linfoide aguda de células T;

– síndromes hereditárias: embora as LLA’s não sejam doenças hereditárias, a presença de algumas síndromes genéticas hereditárias parece aumentar o risco de desenvolvimento de leucemia linfoide aguda (LLA), como a síndrome de Down, Síndrome de Klinefelter, Anemia de Fanconi, Síndrome de Bloom, Ataxia-teleangiectasia e neurofibromatose.

Podem acometer pessoas de qualquer idade. Curiosamente, sabe-se que as leucemias linfoides agudas são mais comuns em homens brancos, porém a razão disso ainda é desconhecida.

A única forma de prevenir a doença é evitar a exposição a fatores de riscos conhecidos. Vale ressaltar que o fator de risco é algo que aumenta a chance de se adquirir uma doença. Entretanto, ter um fator de risco não significa que a pessoa vai definitivamente ter aquela doença.

Quanto ao tipo, podem ser classificadas em leucemia mielóide aguda ( LMA) e leucemia linfóide aguda (LLA), uma referência à linhagem leucocitária acometida.

As LMA’s são classificadas de acordo com suas características morfológicas, fenotípicas, citogenéticas e mais recentemente, moleculares, seguindo a classificação da OMS ( 2008). Alguns exemplos são LMA indiferenciada, megacariocítica, com componente monocítico, eritroleucemia entre outras; e as LLA’s podem ser tipo B subtipos (pró-B, B comum, pré-B e B madura) ou tipo T. Menos de 5 % das leucemias agudas não demonstram evidência de diferenciação para uma linhagem especifica e por isso são denominadas LA ambíguas ou bi-linhagem.

 

Dr. José Sávio S. Ferreira Filho

Onco-hematologista formado pela Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

CRM – AP 1465 // RQE 588

 

Veja o artigo na íntegra no blog do Dr. Sávio Ferreira

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