Inventário antropológico abre inscrições para mapear cultura material do sagrado na Amazônia
Pesquisa inédita vai registrar objetos e saberes da espiritualidade amazônica
Estão abertas as inscrições para o Inventário Antropológico de Cultura Material do Sagrado na Amazônia, iniciativa que irá identificar, registrar e contextualizar artigos religiosos e práticas associadas às tradições espirituais amazônicas. O projeto será desenvolvido entre 30 de março de 2026 e 17 março de 2027 nas cidades de Belém, Ananindeua, Cametá, Santarém, Abaetetuba e Soure (Marajó) no Estado do Pará, reunindo pesquisadores, mestres de cultura, artesãos e comunidades religiosas para documentar saberes e objetos ligados às práticas espirituais da região.
O projeto abriu inscrições públicas para participação de casas de axé e terreiros, pajés e lideranças espirituais, mestres de cultura, artesãos, produtores de artigos religiosos amazônicos e pesquisadores interessados em contribuir para o registro da cultura material do sagrado na região. Os participantes selecionados poderão integrar atividades de pesquisa antropológica patrimonial, participar de formações e oficinas e colaborar com a produção do inventário, que resultará em uma publicação sobre o tema. O edital completo e as inscrições estão disponíveis no site www.antropologico.com.br.
O projeto tem classificação indicativa: 10 anos.
Preservação e valorização da cultura espiritual amazônica
A iniciativa pretende inventariar antropologicamente a cultura material e imaterial de artigos religiosos utilizados em práticas tradicionais como Pajelança Cabocla e Indígena, Babassuê (Terecô do Pará), Linha do Fundo (pajeísmo caruana), Linha de Pena e Maracá (no Tambor de Mina), Igrejas e Doutrinas de Beberagens, entre outras expressões de religiosidade amazônica.
O projeto também busca fortalecer a cadeia produtiva de artigos religiosos com identidade amazônica, incentivando práticas sustentáveis e valorizando mestres de cultura, artesãos e comunidades envolvidas:
“O inventário visa reunir informações de referências culturais dos chamados artigos religiosos produzidos na amazônia a partir das tradições espirituais e religiosas nativas, no sentido de fortalecer essa cadeia produtiva e pavimentar o caminho da patrimonialização daqueles objetos de inestimável valor cultural”, afirma o sociólogo Wilson Teixeira, gestor do projeto.

O Inventário Antropológico representa um passo importante para reconhecer a autenticidade e a originalidade dos objetos sagrados amazônicos, diferenciando-os das tradições de outras regiões e continentes. A médio e longo prazo, o projeto pretende gerar um estudo inédito com insumos que sirvam de base para processos de patrimonialização, registros de procedência geográfica e certificações coletivas, garantindo visibilidade e legitimidade às comunidades envolvidas.
O projeto está alinhado às pautas contemporâneas de cultura, sustentabilidade e bioeconomia, ao valorizar práticas tradicionais que utilizam insumos naturais e ecológicos da floresta em pé na produção de velas, defumações, banhos, estatuárias e outros objetos litúrgicos, sem o uso de derivados petroquímicos ou materiais sintéticos e poluentes.
A iniciativa dialoga com estudos antropológicos sobre pajelança, encantaria e religiosidades amazônicas, contribuindo para o reconhecimento dessas práticas como parte do patrimônio cultural da região.
O projeto é uma realização do coletivo Caruanas dos Produtos Esotéricos Amazônicos, sob execução da WM Projetos Culturais LTDA, e do Governo do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil por meio do Programa Rouanet Norte, do Ministério da Cultura (MinC).

