Guerra recoloca transição energética no centro da COP31
Turquia e Austrália sinalizam que dependência de fósseis será tema central em Antália
A transição energética para longe dos combustíveis fósseis estava quase saindo do radar da COP31 — até que a guerra a trouxe de volta ao centro da agenda. Na Conferência de Petersberg, que tradicionalmente antecipa as prioridades da Cúpula de Clima de cada ano, Turquia e Austrália sinalizaram que a energia será tema central em Antalya. “Os combustíveis fósseis não garantem segurança energética”, disse o presidente da COP31, Murat Kurum. Já o premiê australiano, Anthony Albanese, destacou as “oportunidades econômicas” da energia limpa.
Na Conferência, concluída hoje (22) em Berlim, o Ministro do Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, também reiterou o apoio brasileiro para essa agenda.
“O recente relatório da IRENA reafirma algo que todos reconhecemos: acelerar a energia renovável, a eletrificação e o armazenamento de energia é essencial para fortalecer a segurança energética e reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis. O Brasil apoia integralmente essa direção. O presidente Lula determinou que iniciemos o processo nacional de elaboração de um mapa do caminho para fazer a transição para o fim do petróleo, gás e carvão”, afirmou Capobianco.
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, adotou um tom otimista sobre os impactos de longo prazo da atual crise energética, afirmando que ela pode impulsionar uma “era de ouro” da transição para energia limpa. Ele destacou o mais recente Global Energy Review, que aponta que as renováveis representam 75% das novas usinas de energia e que as vendas de carros elétricos continuam crescendo significativamente.
O presidente da COP31, Murat Kurum, também destacou que a Turquia triplicou sua produção de energia renovável na última década e investiu mais de US$ 10 bilhões em eficiência energética. Em uma carta publicada na semana passada, a presidência turca indicou ainda que “acelerar a transição de energia limpa” será um dos seis eixos de sua Agenda de Ação – segmento que reúne compromissos voluntários de cada Cúpula de Clima.
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha
“Estamos permitindo que nossas empresas liberem plenamente seu potencial inovador. Com uma indústria forte e inovadora, a Alemanha pode oferecer meios para enfrentar muitos desses desafios. Vamos colocar firmemente o nexo entre clima, paz e segurança no centro de nosso engajamento internacional, aumentando a segurança de investimentos, fortalecendo o abastecimento e reduzindo a dependência de importações de combustíveis fósseis — ao mesmo tempo em que apoiamos a ação climática.”
Anthony Albanese, primeiro-ministro da Austrália
“Estamos promovendo novas indústrias de exportação baseadas em energia renovável, gerando empregos e crescimento econômico para nossas comunidades. Este diálogo ocorre em um momento complexo para a cooperação global. É fundamental lembrar o que podemos alcançar juntos — e o que já alcançamos.”
Fatih Birol, diretor executivo da IEA
“Cabe agora aos governos desenhar suas políticas energéticas com foco no setor industrial, mantendo a competitividade das indústrias existentes e preparando os próximos passos para as indústrias do futuro. Esta é uma grande oportunidade.”
“Este ano, em Antalya, a COP31 será uma reunião muito importante. É o momento de mostrar ao mundo que temos uma oportunidade única de redesenhar o mapa energético global e reduzir as emissões.”
Murat Kurum, presidente da COP31 (Turquia)
“Os sistemas energéticos que tiraram bilhões de pessoas da pobreza estão enfrentando uma crise global pela segunda vez em quatro anos. No entanto, essa crise também demonstrou claramente que os combustíveis fósseis não garantem a segurança do abastecimento. Como acordamos em Dubai, é fundamental que os países invistam em fontes alternativas e ampliem sua diversidade energética. Investir em alternativas — especialmente diversificação — significa estabilidade, resiliência e desenvolvimento limpo.”

