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Chico Terra: 70 anos de uma história que segue viva no compasso do Marabaixo

No Dia Estadual do Marabaixo, a memória do fotógrafo e apaixonado pela cultura amapaense é celebrada através das imagens, dos encontros e da tradição que ele acompanhou e registrou por toda a vida.

16 de junho.

Hoje o calendário traz duas datas que, para mim, estarão para sempre entrelaçadas.

É o dia em que meu pai completaria 70 anos. E é também o Dia Estadual do Marabaixo, uma das mais importantes celebrações da cultura amapaense, justamente a manifestação que ele amava viver, registrar e preservar através de seu olhar.

Laura do Marabaixo

Há dois anos, sua partida transformou esta data em um encontro permanente entre a saudade e a memória.

Meu pai não era apenas um fotógrafo do Marabaixo. Ele era parte dele. Acompanhava o ciclo nos barracões, seguia os festejos, reverenciava os mais velhos, celebrava os encontros. Dançava, tomava gengibirra, cantava os ladrões e se encantava, como se fosse a primeira vez, ao ver as marabaixeiras rodando suas saias coloridas ao som forte e ancestral das caixas de marabaixo.

Tia Zefa. Foto: Chico Terra

Seu olhar encontrava beleza onde a tradição encontrava resistência. Em cada fotografia, ele registrava muito mais do que imagens: guardava histórias, afetos, identidades e a força de um povo que mantém viva sua herança cultural.

Enquanto as caixas ecoam pelos barracões e os versos dos ladrões atravessam o tempo, gosto de imaginar que sua memória também dança entre eles. Como se cada toque do tambor carregasse um pouco da sua presença. Como se cada fotografia que deixou fosse uma forma de continuar caminhando entre as comunidades que tanto amou.

© 2009 – http://chicoterra.com – Macapá 252 anos – Confraria Tucuju –

A coincidência das datas nunca me pareceu acaso. Existe algo de profundamente simbólico em lembrar sua vida justamente no dia em que o Amapá celebra uma das expressões culturais que mais faziam seu coração bater forte. É como se sua história tivesse encontrado morada definitiva dentro dessa manifestação que ele tanto respeitou e ajudou a eternizar.

Hoje não celebramos apenas os 70 anos que ele completaria. Celebramos o legado de alguém que compreendeu a importância da memória, da cultura e do pertencimento. Alguém que ensinou, através de suas imagens e de sua própria vivência, que o Marabaixo não é apenas uma festa: é identidade, resistência, fé e amor.

Cortejo da murta. Foto: Chico Terra

E enquanto houver uma caixa tocando, uma saia rodando, uma gengibirra sendo compartilhada e um ladrão sendo cantado, haverá também um pouco dele presente entre nós.

Saudades sempre, pai.

Mas hoje, mais do que tristeza, fica a gratidão por ter tido o privilégio de caminhar ao lado de alguém que soube enxergar e registrar a alma do Amapá. ❤️

https://www.youtube.com/embed/99giClQgjfg?si=T-yD2wKzngF1BuSH

https://youtu.be/7Eoq3z3s-OI?si=QVwGtmzV4eQhQg5e

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