Mais de 50 jornalistas são mantidos reféns no mundo, aponta RSF

Terroristas do grupo Estado Islâmico anunciam a execução de um jornalista japonês que era mantido refém havia três meses. Reprodução

Cinquenta e quatro jornalistas continuam como reféns em todo o mundo. O número é superior ao do ano passado, quando foram constatados 40 casos, apontou o relatório anual da Organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

No levantamento, a RSF destaca que a Síria se transformou no lugar mais perigoso do mundo para os jornalistas, que “são um alvo fácil para grupos radicais como o Estado Islâmico ou a Frente Al-Nusra”. Ao todo, 26 profissionais são reféns. Apenas o EI mantém 18 deles em cativeiro na Síria e no Iraque.

Embora o índice de jornalistas sequestrados seja alto, o número de novos casos de raptos caiu 34% este ano. A justificativa indicada pela ONG é a mudança da situação na Ucrânia, onde havia maior incidência em 2014.

Cerca de 70% dos sequestros deste ano ocorreram em zonas de conflito e somente 5% eram jornalistas estrangeiros no país onde foram feitos reféns. O número de profissionais presos também teve queda, passando de 178 em 2014 para 153 este ano.

Apesar da baixa, a ONG alerta que ainda há casos que devem ser lembrados, como o da China, onde 23 jornalistas estão presos. Em seguida aparece o Egito, com 22, o Irã, 18, e a Eritreia, 15. A RSF também inclui 161 “jornalistas-cidadãos” e 14 colaboradores.

A Turquia também provocou preocupação da entidade, que se referiu ao país como a uma “espiral repressiva”, classificando-o entre as cinco maiores prisões do mundo para jornalistas. No total, nove profissionais foram detidos.

De acordo com a organização, oito jornalistas foram considerados desaparecidos, isto é, “quando não há elementos suficientes para determinar se foi vítima de um homicídio ou de um sequestro e não existe nenhuma reivindicação verificável”.

O Oriente Médio e o norte da África são as regiões com o maior índice de profissionais desaparecidos. “A incerteza que existe sobre o destino dos desaparecidos é uma temível arma de dissuasão para os que querem trabalhar em zonas de risco”, afirma.

O balanço divulgado na última segunda-feira (14/12) não inclui os jornalistas mortos em 2015. O número será anunciado pela RSF no final de dezembro.

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