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Desafios marcam realidade de trabalho de pesquisadores da região amazônica

Biólogo e professor da Universidade Federal do Amapá, Raimundo Nonato, integra uma equipe de pesquisadores envolvidos no desenvolvimento de produtos naturais para o combater mosquitos – como é o caso do aedes aegypti, causador da dengue e de outras doenças.

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Pesquisa em laboratório Pixabay/CC

Raimundo conta que a realidade de trabalho na área de docência e pesquisa na região amazônica enfrenta muitos desafios.

“Primeiro, a própria formação. A carência de profissionais com melhor qualificação; com doutorado, por exemplo. Nós, como somos muito poucos, temos ainda muita dificuldade em acessar os programas de financiamento do Governo Federal. Um outro entrave muito importante é a estrutura do nosso laboratório. Nós temos os espaços físicos, mas não temos os equipamentos”, disse.

Apesar das dificuldades, Nonato relata com orgulho que o trabalho desenvolvido no Amapá chegou a ser publicado em uma conceituada revista científica norte-americana.

A suíça Adriana Huber veio para o Brasil ainda na década de 90 para atuar no Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Antropóloga, ela trabalhou nos estados de Roraima e Amazonas com os povos Yanomami, Banawá, Deni e Suruwaha.
Assim como Raimundo Nonato, a missionária relata alguns obstáculos vividos durante seu trabalho na Amazônia. Entre eles, a locomoção.

“Uma das dificuldades são as grandes distâncias. Por exemplo, em Roraima eu atuava junto a várias comunidades dos povos Yanomamis. O deslocamento é por aviãozinho, monomotor que é um transporte muito caro para a gente conseguir. No Amazonas é feito de barco; pelos rios de ‘voadeiras'”, contou.

Adriana detalha ainda que vários colegas chegaram a contrair doenças típicas da Amazônia, como a malária, mas ela declara que nenhum obstáculo supera a riqueza da experiência do seu trabalho.

“Conviver com estas comunidades que têm projetos de vida diferentes da comunidade ocidental sempre foi muito gratificante.Eles valorizam a dimensão comunitária. Estar feliz não é realizar-se numa profissão de forma individual”, avalia.

EBC

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