Irã ironiza Trump e refuta alerta dos EUA sobre mísseis

Republicano prometeu durante a campanha rasgar acordo nuclear com o governo iraniano

Por Bozorgmehr Sharafedin

Somos agradecidos (a Trump) por tornar nossa vida mais fácil, já que mostrou a verdadeira face da América”, disse Khamenei. Foto: Reuters

DUBAI – O aiatolá Ali Khamenei desdenhou nesta terça-feira da decisão dos Estados Unidos de colocar o Irã “sob aviso” por causa de seus testes de mísseis e classificou o presidente Donald Trump de “verdadeira face” da corrupção norte-americana.

Em seu primeiro discurso desde a posse de Trump, o líder supremo do Irã conclamou seus compatriotas a participarem de manifestações na sexta-feira, aniversário da Revolução Islâmica de 1979, para mostrar que não têm medo das “ameaças” dos EUA.

“Somos agradecidos (a Trump) por tornar nossa vida mais fácil, já que mostrou a verdadeira face da América”, disse Khamenei durante uma reunião de comandantes militares em Teerã, de acordo com seu site.

Trump reagiu a um teste de míssil iraniano em 29 de janeiro dizendo que “o Irã está brincando com fogo” e impondo novas sanções a indivíduos e entidades, alguns deles ligados à Guarda Revolucionária, força de elite do país.

A Casa Branca disse que o lançamento não foi uma violação direta do acordo nuclear de 2015 do Irã com seis potências mundiais, mas que “viola seu espírito”.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, afirmou que o regime não irá renegociar o pacto, que Trump criticou insistentemente por vê-lo como um presente para a República Islâmica.

“Acredito que Trump irá forçar uma renegociação. Mas o Irã e países europeus não aceitarão isso”, disse Zarif na edição desta terça-feira do diário Ettelaat. “Teremos dias difíceis pela frente”.

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu reiteradamente rasgar o acordo nuclear. Embora o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, não o tenha pedido, sugeriu uma “revisão total” do entendimento.

Khamenei, a maior autoridade iraniana, disse que Trump confirmou “o que estamos dizendo há mais de 30 anos sobre a corrupção política, econômica, moral e social do sistema reinante nos EUA”.

 

Reuters

 

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