Mosquitos são usados para disseminar larvicida e ajudam a combater doenças

Técnica desenvolvida por Fiocruz no Amazonas reduz quantidade de Aedes em 95%

Mosquito Aedes aegypti pode ajudar a diminuir surto de doenças. Foto: Reprodução

O próprio Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela, pode ser usado no controle de surtos dessas próprias doenças, segundo estudo realizado pela Fiocruz Amazonas. Na pesquisa, realizada em 100 moradias da cidade de Manacapuru (AM) por dois anos — de fevereiro de 2014 a janeiro de 2016 — os pesquisadores verificaram a capacidade de utilização dos próprios mosquitos para disseminar o larvicida Pyriproxyfen em criadouros aquáticos, por meio de uma espécie de armadilha, chamada de estação disseminadora de larvicida. O estudo foi publicado recentemente na revista científica americana Plos Medicine.

O pesquisador e diretor da Fiocruz Amazonas, Sérgio Luz, disse que com o método houve uma diminuição de 95% na quantidade de mosquitos da cidade em apenas 15 dias. O número de larvas de Aedes nos criadouros caiu de 80% a 90% e a mortalidade das larvas aumentou para até 90%, durante a disseminação do produto.

Com esses resultados, o número de fêmeas do Aedes na região não seria suficiente para manter a transmissão do vírus e o surto desapareceria rapidamente, sem alcançar dimensões de epidemia, explicou o diretor.

— Cobrimos a parte interna de potes, como os usados para armazenar doces, e colocamos pouca quantidade de água no fundo do recipiente. O larvicida foi triturado e misturado com água até formar uma pasta, que foi espalhada para se impregnar no tecido. O pote foi colocado em locais estratégicos para atrais os mosquitos.

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De acordo com o pesquisador, o Aedes costuma “reconhecer território” dos locais antes de depositar seus ovos, o que ajuda a espalhar o produto.

— O mosquito não pica diretamente as pessoas, assim como não deposita os ovos logo que chega a algum local. Ele fica rondando, pousa, volta e assim por diante. Assim, as partículas do larvicida grudam nas patas dele sem que perceba. Mais tarde, o Aedes percorrerá outros lugares para colocar os ovos, já que, por uma questão de sobrevivência, não deixa todos os ovos no mesmo local.

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O pyriproxyfen só mata a larva do mosquito e pode desregular o ciclo do mosquito adulto, diminuindo seu tempo de vida. Luz explicou que a morte das larvas é o suficiente no controle dos surtos das doenças transmitidas pelo Aedes nos centros urbanos. Além disso, o larvicida chega a locais inacessíveis ao homem, como pequenos criadouros em terrenos baldios e imóveis fechados.

— O impacto ambiental é positivo porque essas armadilhas são instaladas onde o homem vive, nas cidades. A quantidade de larvicida que o mosquito carrega é pequena, o que não é suficiente para extinguir a espécie. É apenas uma medida de controle. Além disso, o larvicida não faz mal à saúde humana e pode ser colocado, inclusive, em caixas d’água.

Estudo será levado a outras cidades

Para o coordenador da instituição, o resultado da pesquisa foi animador. Agora, o projeto será implantado em outras cidades brasileiras, nos próximos meses. São elas: Boa Vista (RR), Tabatinga (AM), Tefé (AM), Parintins (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM), Borba (AM). Natal (RN), Fortaleza (CE), Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Marília (SP).

Ainda de acordo com a Fiocruz, se estes ensaios em larga escala confirmarem os resultados obtidos até agora, a estratégia, que faz parte do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da saúde, poderá se transformar em uma ferramenta crucial para a melhora da saúde pública global.

 

R7

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