Governo paga R$ 65 mil para canal no Youtube fazer elogios ao novo ensino médio

Falando para o jornal Daniel Molo, um dos responsáveis pelo canal, disse que o vídeo foi uma encomenda da Digital Stars, produtora que representa grandes youtubers no Brasil. Reprodução

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o canal do Youtube “Você sabia?” recebeu R$ 65 mil do governo federal para passar ideias positivas sobre a reforma do ensino médio em um vídeo com praticamente nenhuma sinalização de que se trata de uma peça publicitária.

No vídeo postado em outubro de 2016, os donos do canal, Lukas Marques e Daniel Molo, explicam com espontaneidade a proposta do novo ensino médio, apontando os pontos positivos da reforma. “Com esse vídeo você aí deve estar dando pulo de alegria. Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança eu ficaria muito feliz”.

Em nenhum momento os apresentadores mencionam que o canal recebeu dinheiro do governo e que o vídeo é patrocinado. A descrição também não conta com informações e avisos de que se trata de uma peça publicitária.

No começo do vídeo, inclusive, os youtubers dizem que abordaram o tema porque acharam interessante. “A gente achou o tema bastante interessante, uma galera estava discutindo nas redes sociais”. O único indicativo de que o material é diferenciado é a sentença “contém promoção paga” nos primeiros segundos de vídeo, escrito em letras pequenas, no canto da tela.

De acordo com a Folha de S.Paulo, mais dois canais receberam a mesma proposta de vídeo, mas recusaram. Falando para o jornal Daniel Molo, um dos responsáveis pelo canal, disse que o vídeo foi uma encomenda da Digital Stars, produtora que representa grandes youtubers no Brasil, incluindo Kéfera Buchmann, Christian Figueiredo e Felipe Castanhari.

De acordo com o MEC, a agência foi escolhida por licitação e o uso de influenciadores digitais faz parte dos planos de publicidade do governo. Para aumentar a aprovação popular da reforma no ensino médio, que foi sancionada na quinta-feira, o governo de Michel Temer gastou R$ 13 milhões em publicidade de outubro a janeiro, incluindo campanhas na TV, rádios e internet.

Entramos em contato com a CONAR, agência reguladora de publicidade no Brasil, para saber o posicionamento do órgão sobre o caso, mas ainda não obtivemos resposta.

 

Veja o vídeo neste link

 

Leia na íntegra no site Adrenaline

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