AMAZÔNIA BRASIL RÁDIO WEB

Cultura & informação da Amazônia para todo o planeta desde 11 de novembro de 2000

Educação

Sindicato critica uso de recursos da educação básica em fundos de financiamento Deputados mineiros aprovaram projeto do governo estadual na última quinta (6)

Wallace Oliveira

O plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em segundo turno, na quinta (6), o Projeto de Lei (PL) 4.135/17. O texto, que foi encaminhado pelo Executivo, cria seis fundos estaduais: de Investimento, Pagamento de Parcerias Público-Privadas, Garantias de Parcerias Público-Privadas, Créditos Inadimplidos e Dívida Ativa, Ativos Imobiliários de Minas Gerais e Investimentos Imobiliários. O PL aguarda sanção ou veto do governador Fernando Pimentel (PT).

O objetivo do PL, segundo o governo, seria captar recursos para investimentos e para o pagamento da previdência dos servidores, em um contexto de crise financeira. Essa política, entretanto, é questionada pelos trabalhadores. No dia da aprovação do PL, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE MG) concedeu uma coletiva de imprensa, com uma avaliação da proposta.

De acordo com o Sind-UTE, na composição dos fundos, o projeto prevê o uso da Quota Estadual do Salário Educação (QESE), uma contribuição social instituída em 1964, cuja finalidade deveria ser o financiamento da educação básica.

Privatização

No último período, cinco consórcios compostos por construtoras participaram de um Procedimento de Manifestação de Interesse, aberto em 2015, com o objetivo de licitar Parcerias Público-Privadas (PPP’s) na educação. Para o sindicato, a utilização do recurso para compor um fundo de PPP é uma forma de privatização necessariamente prejudicial para o estado.

“Esse recurso deveria ser investido em educação, em construção de novas unidades, na reforma de escolas. Uma escola tem como custeio anual cerca de R$ 252 mil de investimento. Uma escola da PPP terá custeio anual de R$ 2,9 milhões”, avalia a coordenadora-geral do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira.

Ela também critica a falta de diálogo com a categoria e o conjunto da sociedade. “Quem decidiu que a PPP é melhor para educação em Minas, com quem o governador conversou? Uma política tão estrutural como essa requer diálogo. Estamos falando de consórcios de empreiteiras que administrarão escolas que deviam ser públicas. A sociedade quer que a Odebrecht, Andrade Gutierrez administrem uma escola?”, questiona.

Edição: Joana Tavares

Brasil de Fato

O que você pensa sobre este artigo?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.