Meninas refugiadas têm menos acesso à educação por serem mulher, diz ONU

Devido à passagem do dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) cobra mais esforços e vontade política para levar educação às meninas e adolescentes em situação de deslocamento forçado. Em Uganda, Etiópia e Quênia, os três países que mais recebem refugiados na África, estudantes mulheres têm 50% menos chances do que os homens de frequentar o ensino fundamental II e o ensino médio.

No mundo, apenas 61% das crianças vítimas de deslocamento forçado têm acesso à educação primária. A taxa entre meninos e meninas que não vivem nessa condição é de 91%. A inclusão de refugiados no ensino secundário — que inclui o ensino médio e o ensino fundamental II — é de apenas 23%, ao passo que a média global de matrícula nesse nível educacional é de 84%. Somente 1% dos refugiados frequentam algum centro de ensino universitário ou formação pós-secundária.

Esses números não levam em conta as diferenças de gênero que, comprovadamente, tendem a marginalizar e excluir meninas, deixando-as sem acesso à educação formal.

No Quênia e na Etiópia, para cada dez meninos refugiados frequentando o ensino primário, há apenas sete refugiadas. Entre as crianças nativas dos dois países de acolhimento, os números de meninos e meninas matriculados nesse segmento são iguais.

No ensino secundário, também nas duas nações, a taxa de inclusão entre os refugiados é de quatro meninas para dez meninos. Em Uganda, a situação é um pouco melhor — cinco alunas para cada dez alunos. Segundo a UNESCO, entre a população local dos três países africanos, existem nove garotas para cada dez garotos matriculados no ensino secundário.

Atualmente, mulheres e meninas representam metade dos refugiados em idade escolar.

Barreiras de gênero
Equipes do ACNUR identificaram que famílias de refugiados tendem a priorizar os meninos na hora de escolher entre irmãos que devem prosseguir com os estudos. Segundo os profissionais da agência da ONU, os homens são vistos pelos parentes como tendo um potencial maior para gerar renda no futuro.

O cenário se agrava em países em desenvolvimento, onde moram 84% de todos os refugiados do mundo, porque, nessas nações, os recursos disponibilizados para o ensino secundário são bem menores do que para o ensino primário.

Meninas também podem ter de enfrentar convenções culturais e sociais — em algumas comunidades, por exemplo, acredita-se que não há necessidade de educar as mulheres, sobretudo em lugares onde o casamento infantil e a gravidez na adolescência são a norma. O ACNUR lembra que há casos documentados de extremistas religiosos que atacaram garotas, incluindo refugiadas, pois elas ousaram ir à escola.

Outros obstáculos incluem a repartição injusta de tarefas que ficam a cargo das meninas, como a limpeza da casa, o cuidado de parentes mais velhos ou mais novos, a coleta de água e de materiais para a geração de eletricidade, aquecimento e preparo de alimentos. O casamento infantil é visto, em alguns casos, como uma solução para cortar despesas familiares com as jovens.

A escola também pode ser um ambiente pouco acolhedor se não dispor de banheiros particulares, saneamento, água limpa e produtos de saúde. Segundo o Banco Mundial, a menstruação leva as meninas da África Subsaariana a perder quatro dias escolares a cada quatro semanas — o que representa em torno de 10 a 20% dos dias letivos.

Veja íntegra no site da ONU Brasil

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