Oncinhas resgatadas vão para maternidade, mas futuro preocupa

Entre áreas cadastradas para receber felinos, metade já não aceita as onças e outra metade sofre com a degradação.

Alana portela

A dupla de oncinhas resgatada nesta semana em canavial de Nova Andradina já está sob cuidados do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande. Na maternidade do lugar, elas são alimentadas e parecem bem dispostas. Mas quando crescerem, os filhotes podem enfrentar dificuldades maiores para voltar à natureza em comparação ao que animais adultos já passam hoje.

É que os felinos têm de ser soltos em fazendas cadastradas e metade já não aceita esse tipo de animal. Os outros 50% de áreas que sobram, ficam a cada ano mais degradados, o que também prejudica a reinserção.

Apesar do CRAS ter mais de 60 fazendas de Mato Grosso do Sul cadastradas para receberem animais silvestres, 50% dos fazendeiros não aceitam onças em suas propriedades. Conforme o médico veterinário, Lucas Cazati, isso tem dificultado a solturas dos felinos, que precisam ir para um local preservado, para garantir a sobrevivência quando voltarem à natureza.

“Acredito que chega a 50% das fazendas que tem problema com onça, pois boa parte quer animais que levem benefícios. Os fazendeiros querem papagaio, araras, bichos que tragam visitação, beleza que sejam mais caricatos e apresentem menos riscos à família deles”, conta Cazati, que trabalha no CRAS há um ano.

O médico veterinário relata que a maioria dos fazendeiros, cuja renda vem do gado, não aceita os felinos nas propriedades. “Fazem cria, recria e engorda e se colocar esse animal no local, o proprietário pode matar e prejudicar a espécie. Estamos passando por um novo cadastro desses espaços para ter a certeza de que o bicho não sofrerá traumas causados por humanos”, disse.

O problema é que na outra metade que sobre, as condições também não são ideais. De acordo com o veterinário, outro ponto que também tem dificultado a soltura das onças é a degradação ambiental. “A maioria das áreas, até de conservação, está sofrendo degradação. Isso também dificulta o nosso trabalho, porque quanto mais o tempo passa, menos áreas de soltura aptas têm. É uma corrida contra o tempo, recebemos muitos animais”, falou.

O processo, segundo os responsáveis, é bem cuidadoso ao selecionar a área de soltura, por conta de experiências traumáticas na rotina com os felinos. “Conheço casos de maus-tratos, pessoa que dá tiro, que captura e arranca dente. Nosso trabalho com o animal envolve pesquisa, noites sem dormir para devolver o bicho para a natureza e vir um fazendeiro que não acordou legal e matar… Temos que ter esses cuidados”, afirmou.

Campo Grande News

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