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Muçulmanos não acatarão decreto de Bolsonaro sobre abertura de templos

“O Islam tem como premissa absolutamente essencial a preservação da vida … nada pode estar acima da integridade física e da preservação da vida, porque, aos olhos de Deus, a criatura humana é a criação preferencial”

 

São Paulo, 26 de março de 2020 – Sobre o decreto do presidente Jair Bolsonaro que inclui templos religiosos entre os setores considerados essenciais, permitindo a realização de cultos, Ali Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil) assim se posiciona:

“O Islam tem como premissa absolutamente essencial a preservação da vida. Tudo dentro do Islam é nesse sentido. A liturgia, a prática, nada pode estar acima da integridade física e da preservação da vida, porque, aos olhos de Deus, a criatura humana é a criação preferencial.

Então, nós temos que, acima de tudo, ter todas as iniciativas no sentido de fazer com que o ser humano seja preservado. A orientação que temos dado, assim como as autoridades religiosas de todos os cantos do mundo e de todas as linhas, é aconselhar – no caso de alguns governos, até de proibir – as manifestações, os cultos religiosos, as orações em congregação justamente para que não se coloque em risco a vida humana de nenhum dos seus adeptos.

Vemos com preocupação essa medida do governo e, do ponto de vista do Islam, dos muçulmanos e das entidades islâmicas no Brasil, já adotamos a prática de fazer com que as pessoas possam fazer sua adoração a Deus – as orações, que é um dos pilares a religião –  em suas casas. É preciso pensar também no outro, que não pode ser prejudicado.

De maneira clara e categórica, as coisas já estão postas perante a nossa comunidade muçulmana aqui no Brasil e em todo o mundo. Nós teremos, em breve, a peregrinação a Meca, o Hajj, outro pilar do Islam. Nessas condições, as autoridades religiosas tiveram atitudes claras no sentido de proibir que essa prática pudesse acontecer.

O nosso entendimento é que a ciência não é incompatível com a fé. A ciência apenas respalda aquilo que nós acreditamos do ponto de vista da fé. E a ciência hoje, também como uma criação de Deus para a humanidade que é o conhecimento, não deixa dúvidas sobre a decisão de recomendar a suspensão das reuniões, fundamentalmente, as orações em congregação.”

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