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Entidades acompanham avanço da covid-19 nas comunidades quilombolas

A plataforma online será atualizada com informações da Conaq

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou hoje (28) o Observatório da Covid-19 nos Quilombos. Gerida e sistematizada pelo Instituto Socioambiental (ISA), a plataforma, online, será atualizada a partir de informações repassadas por comunidades às regionais da rede da Conaq.

Até esta quinta-feira, foram identificados 203 casos confirmados de covid-19, 36 casos suspeitos e 46 mortes que tiveram a infecção como causa. Conforme destaca a Conaq, houve, em média, uma morte por dia, desde que o primeiro óbito foi reportado, em 11 de abril, no Quilombo de Abacate da Pedreira, em Macapá.

De acordo com o levantamento, o Pará já soma 15 óbitos por covid-19, o que faz dele o estado com o maior número de registros até o momento. Na sequência, aparecem Amapá, com nove mortes; Pernambuco, com sete; e Rio de Janeiro, com seis.

Na avaliação da Conaq, as ações articuladas pelo poder público têm surtido pouco efeito, no que diz respeito à proteção dos quilombolas durante a pandemia. Em nota, escreve que “parte do problema é a ausência de dados epidemiológicos” relativos a essa parcela da população, que, diz a entidade, estará sujeita a um “impacto arrasador”. A organização também considera que os conglomerados de mídia têm deixado de abordar a questão.

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Durante transmissão online, para tratar da importância do observatório, a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, defendeu que o balanço do governo federal sobre as ocorrências de covid-19 deveria ter maior detalhamento, permitindo que se pudesse acompanhar como a doença tem avançado entre grupos social e historicamente vulneráveis, como indígenas, quilombolas, pessoas transgênero ou que residem em periferias.

“São milhões de pessoas afetadas pela covid-19, cerca de 26 mil mortes agora, e as pessoas têm morrido em isolamento, o que já é um trauma para a própria família. As pessoas têm morrido e não têm oportunidade de um enterro digno. A família não tem a chance de chorar seus mortos. Ou seja, o desafio é desse tamanho, mas quero chamar a atenção, porque não é uma fatalidade, não é uma coincidência. Nós sabemos que os direitos à saúde e à vida estão entre os direitos fundamentais de qualquer pessoa e esses direitos fundamentais trazem junto uma obrigação das autoridades”.

Em 2019, existiam 5.972 localidades quilombolas em todo o Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que adiantou a divulgação de dados do Censo para contribuir com a formulação de políticas públicas que preservem os direitos desse grupo populacional no contexto da pandemia. Em mensagem veiculada no início de abril deste ano, a Fundação Cultural Palmares informou que 3.432 comunidades quilombolas de todo o país já contam com certificado.

EBC

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