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Audiobooks, um mercado em franco crescimento no Brasil

Os audiobooks, também conhecidos por audiolivros na realidade brasileira, vieram para ficar. A indústria tem crescido de forma intensa no Brasil ao longo dos últimos tempos, se estabelecendo como uma das principais formas de consumo no atual panorama. Mas, afinal, o que são audiolivros? Que números expressam o crescente interesse dos brasileiros? Já é possível ouvir clássicos da literatura nesse formato? Respondemos a essas e outras questões nas próximas linhas. 

Os audiobooks, também conhecidos como “livros falados”, correspondem à gravação do conteúdo de uma determinada obra em áudio. Ou seja, um narrador lê a obra em voz alta para que as pessoas, em vez de lerem os livros, os escutem. Em uma era na qual cada vez mais formas de consumo alternativas surgem, a literatura não poderia ficar de fora. Acompanhar os tempos e se modernizar faz parte da manutenção e do crescimento de uma indústria, e após o advento dos e-books agora também estão em voga os audiolivros.

Em rigor, os audiobooks não são propriamente uma novidade. Desde as décadas de 1980 e 1990 algumas obras têm sido alvo de gravação em formato de áudio, utilizando os recursos disponíveis à época, como as fitas cassete e, posteriormente, os CDs. Hoje, os recursos se inovaram, e um simples download em qualquer dispositivo móvel já nos dá a chance de escutar um livro nesse formato. Dentro da indústria da literatura, a própria vertente dos audiobooks vem se modernizando e se adaptando constantemente, visto que os trabalhos desenvolvidos nesse sentido são cada vez mais meticulosos, tanto quanto à qualidade da narração por parte de profissionais, como no que diz respeito às condições da gravação e às ferramentas utilizadas para tal. Para além do simples gosto de ouvir a narração de uma obra em vez de lê-la, os audiolivros desempenham também um importante papel em termos de inclusão social, visto que é uma solução viável para pessoas com deficiência visual ou dislexia. 

Crescimento da indústria no Brasil

A indústria dos audiolivros tem crescido bastante no Brasil nos últimos tempos, ainda que pesquisas recentes, conforme publicamos em https://chicoterra.com/2020/, apontem uma quebra no consumo de literatura em detrimento, por exemplo, do tempo gasto nas redes sociais. Esse crescimento se verifica desde 2019 e é enunciado pelos diretores de plataformas que operam no país, como a Ubook, a Auti Books ou a Storytel. Em 2019, o jornal Valor Econômico realizou um estudo e posteriormente lançou uma matéria em que traçou o atual panorama no que diz respeito ao consumo de audiolivros no Brasil, revelando então alguns dados interessantes.

Primeiramente, foi revelado que a maioria dos consumidores de audiolivros no Brasil tem entre 25 e 34 anos de idade, o que não parece ser grande surpresa tendo em consideração o quão familiarizada está essa faixa etária com a tecnologia. Outro dos resultados está correlacionado com as preferências no que toca ao dispositivo preferencial para ouvir os audiobooks: a maioria dos ouvintes privilegia o celular, totalizando 72,4%, enquanto 26,36% optam pelo desktop. Apenas 1,60% prefere o tablet para efetuar essa atividade. No que tange ao sistema operacional, a maioria o faz através do Android (74,13%). O estudo revelou que a maioria dos usuários é do sexo feminino (56,7%) e que São Paulo é a cidade em que se concentra o maior número de pessoas que consomem audiolivros, com 17,47%. As cidades do Estado da Amazônia estão comtempladas na percentagem “Outros”, com 55%.

Uma breve pesquisa na web conduz-nos até diversas obras da literatura brasileira que já se encontram em formato de audiolivro. “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, cuja primeira edição foi lançada pela antiga Livraria Garnier, é uma dessas obras. Com o Rio de Janeiro do século XIX como cenário, é praticamente uma autobiografia da personagem Bento Santiago, um homem envelhecido que vai recordando seu passado. Sua vivência sofrida acabou por fazer com Bento ganhasse a alcunha de “Dom Casmurro”. Já “O Quinze”, primeiro romance de Rachel de Queiroz, autora cujos títulos podem ser encontrados no site da Amazon, também pode ser desfrutado no formato de audiolivro. O enredo tem todo um contexto histórico por trás, visto que relata a seca que aconteceu no Ceará em 1915, quando a autora era ainda bem jovem. Se for fã de Jorge Amado, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” é outras das sugestões. O livro conta a história de Dona Flor e seus dois casamentos. Seu primeiro marido, Vadinho, é um boêmio que adora jogar roleta e também bacará, tradicional modalidade de cassino cujo vencedor é quem tiver a mão mais próxima de 9, conforme comentado em sites especializados no assunto, como https://www.casinos.pt/jogos/baccarat/, e cuja popularidade se dá por conta da simplicidade das regras. Já o segundo marido, Teodoro, é um farmacêutico pacato e reliogoso. Esse romance é um clássico da literatura brasileira e simboliza, nas figuras de Vadinho e Teodoro, as contradições e paradoxos existentes não apenas na sociedade brasileira, mas dentro de todo ser humano. Como vemos, há diversos títulos interessantes para serem ouvidos.

Fonte: Unsplash

Os audiolivros são, em suma, uma forma adaptada aos tempos atuais para consumo de informação e de leitura. Iniciando sua trajetória através das fitas cassete, os audiobooks estão hoje à disposição em qualquer dispositivo móvel de forma bem acessível. Você pode ouvir um clássico da literatura brasileira ou uma outra obra de sua preferência em qualquer lugar, bastando ter seu dispositivo e equipamento para audição, importando frisar, mais uma vez, que são uma boa alternativa para pessoas com deficiência visual.

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