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População do Amapá prefere a bioeconomia à exploração de petróleo, mostra pesquisa

Enquanto avança o processo para permitir a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, no Amapá, a maior parte da população local prefere outro modelo econômico, baseado em sociobioeconomia, preservação ambiental e valorização cultural. É o que mostra uma pesquisa encomendada pelo Instituto Mapinguari e pela Rede Conhecimento e realizada pela Offerwise. O levantamento, intitulado “Desafios e Oportunidades para o Amapá”, constatou que os jovens – que são maioria no estado – gostariam de trabalhar em atividades relacionadas à preservação, e não à exploração.
 

Metade da população do Amapá tem até 27 anos. Entre os entrevistados pela pesquisa, 75% estão na faixa etária de 17 a 29 anos, e 80% deles desejam trabalhar em atividades ligadas à proteção da natureza. Para esses jovens, o desenvolvimento econômico não pode ser dissociado da preservação de rios, florestas e modos de vida tradicionais. “A juventude não quer esperar por soluções externas. Existe um desejo de construir caminhos de mudança nos territórios, mas faltam investimentos, escuta ativa e vontade política”, afirma Anália Barreto, Diretora-Executiva do Instituto Mapinguari.
 

Representando pouco mais da metade da população, as mulheres reforçam esse ponto de vista: 62% se dizem contrárias ou incertas quanto à exploração de petróleo na Foz do Amazonas, enquanto entre os homens esse percentual cai para 39%. Para as amapaenses, preservar rios, florestas e modos de vida não é apenas uma questão ambiental, mas uma forma de garantir segurança alimentar, saúde e continuidade da vida comunitária.
 

Entre os negros e pardos, que representam 73,7% da população do Amapá, reforça a importância da proteção do território. Entre os que desejam trabalhar em atividades de preservação ambiental, mais de 70% pertencem a esses grupos. Para essas comunidades, pesca e turismo comunitário não são apenas fontes de renda, mas expressões de identidade cultural e pertencimento ao território. Em contraste, 65% não se veem trabalhando no setor petrolífero, e 40% temem a entrada de trabalhadores de fora, evidenciando a percepção de ameaça à autonomia local e aos modos de vida históricos.
 

As diferenças socioeconômicas também são significativas. Enquanto as classes mais altas tendem a apoiar a exploração de petróleo, associando grandes empreendimentos ao dinamismo econômico, as classes populares priorizam atividades de baixo impacto que preservam comunidade, cultura e cotidiano. Mesmo assim, há consenso sobre um ponto essencial: a natureza é central para a vida e para o desenvolvimento do estado. Para 83% da população, conservar rios e mares é uma prioridade que garante alimentação, renda e continuidade de modos de vida tradicionais. Florestas e rios são apontados como as maiores riquezas por 66% e 65%, respectivamente, da população.
 

Essa relação íntima com o território transforma o desenvolvimento sustentável e a bioeconomia em escolhas concretas. Pesca, agricultura familiar e turismo comunitário representam trabalho digno, preservação ambiental e reafirmação cultural, e se consolidam como alternativas sólidas à exploração de petróleo e mineração. “O Amapá não precisa repetir ciclos de exploração e abandono. Pode ser vanguarda de um modelo em que preservação e economia caminham juntas”, afirma Flávia Guedes, analista de projetos da Frente de Bacias Hidrográficas e Oceano, do Instituto Mapinguari.

Assessoria de imprensa – Avenida Comunicação

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