Quanto o desengajamento custa para as empresas brasileiras?
Pesquisa revela impacto bilionário da falta de envolvimento dos profissionais na economia do país
O desengajamento no trabalho deixou de ser apenas um desafio de gestão de pessoas para se tornar um problema econômico de grandes proporções no Brasil. A falta de envolvimento com o trabalho passou a gerar prejuízos mensuráveis para empresas e para a economia nacional. É nesse contexto que o Engaja S/A & Flash, pesquisa produzida pela Flash em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), ganha protagonismo ao abordar sobre um custo até então pouco explorado de forma pública e estruturada.
Como a pesquisa chegou a esses dados?
Desenvolvido com rigor metodológico e base científica, o estudo analisa o nível de envolvimento dos trabalhadores brasileiros a partir de dimensões centrais, como: práticas de gestão; ambiente de trabalho; confiança na liderança e remuneração. Mais do que medir percepções, a pesquisa avançou ao traduzir o desengajamento em impacto financeiro concreto.
De forma inédita no Brasil, o Engaja S/A calculou quanto a falta de engajamento custa à economia nacional. Segundo os dados da terceira edição do estudo, o desinteresse e a desconexão dos profissionais geram uma perda anual estimada em R$ 77 bilhões, o equivalente a cerca de 0,66% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se da única pesquisa nacional a divulgar publicamente esse cálculo, tornando visível um problema que, até então, era tratado de maneira difusa pelas organizações.
Como é possível mensurar esse prejuízo?
Decorre principalmente de dois fatores:
- Aumento do turnover
- Avanço do presenteísmo
Profissionais desengajados tendem a produzir menos, a faltar mais ou a buscar novas oportunidades com maior frequência, elevando custos com desligamentos, contratações e treinamentos. O estudo aponta que seis em cada dez brasileiros pensaram em pedir demissão com alguma regularidade, o que ajuda a explicar por que a rotatividade gera perdas anuais superiores a R$ 70 bilhões para as empresas.
Outro dado relevante revelado pelo Engaja S/A é que apenas 39% dos trabalhadores no país estão efetivamente engajados, o menor índice desde o início da série histórica. Em contrapartida, a maioria cumpre apenas o mínimo necessário ou apresenta sinais claros de desmotivação. Esse quadro afeta diretamente a capacidade das organizações de inovar, crescer e manter vantagem competitiva em um ambiente econômico cada vez mais instável.
O estudo também destaca que o desengajamento não está restrito às camadas operacionais. Embora ainda mais envolvidos do que a base, líderes e gestores apresentaram a maior queda recente nos níveis de engajamento, indicando uma crise silenciosa na liderança. Esse esgotamento compromete a qualidade da gestão e amplia o efeito cascata da desmotivação dentro das empresas.
Ao tornar público o custo do desengajamento, o estudo oferece às organizações uma ferramenta estratégica. A pesquisa evidencia que investir em boas práticas de gestão não são apenas ações de bem-estar, mas uma decisão econômica racional. Ambientes de trabalho mais saudáveis tendem a reter talentos, elevar a produtividade e reduzir perdas financeiras significativas.
Os dados do Engaja S/A deixam claro que o desengajamento tem um preço alto e mensurável para as empresas brasileiras, gerando um alerta objetivo para líderes e gestores, ou seja, ignorar o engajamento deixou de ser uma opção.

