Feminicídios disparam no Amapá em 2026 e casos em Santana acendem alerta
Dados do Ministério da Justiça apontam aumento expressivo de casos no estado, enquanto crimes recentes evidenciam falhas na proteção às vítimas
O Amapá enfrenta um cenário alarmante de violência contra a mulher em 2026. Casos recentes registrados no município de Santana evidenciam uma escalada preocupante, em meio a dados oficiais que já indicam crescimento expressivo nos índices de feminicídio no estado.
Entre os episódios que mais chocaram a população está o assassinato da jovem Ana Paula Vilhena, morta durante um assalto enquanto trabalhava em uma loja de roupas. O criminoso a asfixiou até a morte e levou seu celular, posteriormente trocado por drogas, um crime marcado pela brutalidade e pela banalidade da motivação. O autor do crime já havia feito outra vítima mulher há anos e estava foragido do Iapen, onde cumpria pena por homicídio qualificado.
Dias depois, outro caso reforçou o alerta: Juciele de Souza Morais foi atacada a facadas em via pública, nas proximidades do Fórum de Santana, onde participaria de uma audiência judicial. Ela foi abordada pelo ex-companheiro antes de entrar no prédio. O agressor foi preso em flagrante por militares que atuam na segurança do local, conforme informações do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá.
Em nota oficial, o TJAP informou que o crime ocorreu fora das dependências do fórum e destacou que o autor não chegou a passar pelos protocolos de segurança, que incluem identificação e revista por raios-x.
Os dois casos, embora distintos, expõem um padrão preocupante: a violência contra mulheres em espaços cotidianos, no ambiente de trabalho e até mesmo no acesso à Justiça.
Crescimento dos casos acende alerta
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram uma evolução preocupante dos casos de feminicídio no Amapá. Em 2024, foram registrados dois casos no estado. Já em 2025, esse número saltou para nove ocorrências , um aumento significativo em apenas um ano.
O início de 2026 também já indica um cenário crítico, com registros de novos casos que reforçam a tendência de alta e colocam o estado em alerta. Dentre eles, o de Rivone Pereira dos Santos, morta a facadas pelo então companheiro, Delson Jr. Cardoso Carvalho. Delson desferiu diversos golpes de faca na vítima, enquanto a filha do casal, de 17 anos, presenciava. A motivação do crime teria sido por ciúmes.
Especialistas apontam que o crescimento dos índices está relacionado a fatores estruturais, como a persistência da violência de gênero, falhas na rede de proteção e dificuldades na efetividade das medidas protetivas.
Medidas de enfrentamento
Diante do avanço da violência, órgãos públicos têm intensificado ações de combate. Em fevereiro, a Polícia Civil do Amapá deflagrou a operação “Operação Mulheres 2026”, com foco no cumprimento de mandados de prisão contra agressores e no combate ao descumprimento de medidas protetivas.
O Ministério Público do Estado do Amapá também lançou a campanha “Ela Tem Voz. Ela Tem Proteção”, iniciativa voltada ao incentivo de denúncias e à conscientização sobre a violência de gênero.
Outra medida anunciada pelo Governo do Estado é a entrega de uma nova unidade da Casa da Mulher Brasileira, prevista para 2026, ampliando a rede de acolhimento às vítimas.
Apesar dos esforços, os casos recentes evidenciam desafios persistentes, como a necessidade de monitoramento mais rigoroso de agressores, especialmente em situações envolvendo ex-companheiros, contexto recorrente em crimes de feminicídio.
Como denunciar
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por canais oficiais:
190: Polícia Militar (emergência)
180: Central de Atendimento à Mulher (serviço nacional, gratuito e anônimo)
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), com unidades em Macapá e Santana
Um problema que exige resposta urgente
Mais do que números, os casos recentes escancaram uma realidade preocupante: mulheres continuam sendo vítimas de violência extrema em contextos evitáveis, muitas vezes após sinais claros de risco.
A sequência de crimes e o aumento expressivo nos dados oficiais reforçam a urgência de fortalecer políticas públicas, ampliar a rede de proteção e garantir que medidas legais sejam efetivas para prevenir novas tragédias.

