Amazônia

Amazônia: projetos fortalecem proteção territorial e geram renda com protagonismo indígena

Iniciativas apoiadas pelo Fundo LIRA/IPÊ mobilizam milhares de pessoas, estruturam cadeias produtivas e ampliam a gestão de milhões de hectares na Amazônia Legal

Projetos apoiados pelo Fundo LIRA/IPÊ fortalecem a proteção de territórios e impulsionam a bioeconomia na Amazônia Legal, com participação direta de milhares de indígenas e comunidades tradicionais. As iniciativas articulam organizações locaisem diferentes estados e combinam conhecimento tradicional, tecnologia e gestão territorial para gerar renda, fortalecer a governança e conservar a floresta.

Para Neluce Soares, coordenadora do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados evidenciam um modelo consistente de desenvolvimento a partir dos territórios. “Quando os investimentos chegam diretamente às organizações locais, é possível fortalecer agovernança, gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo. São soluções que nascem dos territórios e respondem a desafios globais”, afirma.

Na região do Xingu, mais de 7.300 indígenas foram diretamente beneficiados por ações de gestão territorial e fortalecimento institucional. O trabalho envolveu cinco Terras Indígenas, com a realização de 225 missões de vigilância e aimplementação de instrumentos de gestão em uma área próxima a 10 milhões de hectares.

O uso de tecnologias como drones, GPS e sistemas de monitoramento, aliado ao conhecimento ancestral, tem ampliado a capacidade de proteção dos territórios. “Através do trabalho com o drone, localizamos um acampamento de madeireiros próximo àaldeia. Isso facilitou nossa atuação”, afirma Awanene Parakanã, da Associação Indígena Tato’a (TATOA).
Além da proteção territorial, as iniciativas também fortalecem cadeias produtivas da sociobiodiversidade em diferentes regiões da Amazônia. No Alto Rio Negro, mais de 4.900 indígenas participaram da implementação de Planos de Gestão Territoriale Ambiental em três Terras Indígenas, totalizando 10,2 milhões de hectares. Os projetos contribuíram para a geração de R$ 2,5 milhões em faturamento com produtos e serviços, ampliando o acesso a mercados municipais, estaduais e nacionais.

Em Rondônia e no Acre, organizações apoiadas ampliaram a produção e a base de cooperados, consolidando cadeias produtivas e fortalecendo a gestão local. No território Xipaya, a estruturação de uma miniusina de beneficiamento ampliou a produçãode óleos vegetais e outros produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a geração de renda e a autonomia das comunidades.

Os impactos também se refletem na melhoria das condições de vida. Na Terra Indígena Trincheira Bacajá, a perfuração de poços e a instalação de sistemas de bombeamento com energia solar garantiram acesso contínuo à água potável, reduzindodoenças e fortalecendo a segurança alimentar. “Hoje temos água limpa para todas as nossas crianças. Antes, elas ficavam doentes ao beber água do igarapé”, relata Printkore Xikrin, cacique da aldeia Ngôkôndjâm, da AssociaçãoABEX.
Os projetos ainda impulsionam o protagonismo das mulheres em diferentes territórios. No Alto Rio Negro, mulheres Baniwa vêm ampliando sua atuação na produção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a autonomiaeconômica, a organização comunitária e sua participação nas decisões locais.

Para Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados reforçam o papel estratégico de iniciativas que conectam conservação, economia e governança. “A experiência mostra que é possível integrar proteção ambiental, geração de renda efortalecimento institucional. Esses projetos demonstram que a Amazônia tem caminhos concretos para um desenvolvimento sustentável baseado nos territórios”, afirma.Sobre o LIRAO Fundo LIRA é uma iniciativa de apoio a projetos de impacto socioambiental em áreas protegidas. É uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas que atua de forma integrada, combinando financiamento, desenvolvimento institucionaldas organizações de povos e comunidades tradicionais, gestão do conhecimento, inovação e articulação com políticas públicas. Ao trabalhar em rede e a partir das realidades territoriais, o LIRA contribui para a conservação da biodiversidade,justiça climática, consolidação das organizações locais e a construção de estratégias duradouras para os territórios amazônicos.

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