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Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares em 2025

Nos últimos 7 anos o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa

O Brasil atingiu em 2025 um marco no monitoramento do desmatamento: pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o RAD2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil) foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024. Nos últimos sete anos, o Brasil perdeu 10.913.064 hectares de vegetação nativa, área superior ao estado de Pernambuco.


Quase 2700 mil hectares desmatados por dia


Apesar da redução no desmatamento, em 2025, a área média desmatada no Brasil foi de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora. É como se 17 parques do Ibirapuera – o maior parque urbano da cidade de São Paulo – fossem desmatados todos os dias. No Cerrado, foram perdidos 1.482 hectares de vegetação nativa diariamente. Na Amazônia, o desmatamento foi de 792 ha por dia, o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo.


Cerrado e Amazônia são os biomas mais desmatados em 2025


Amazônia e Cerrado juntos responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país em 2025. O Cerrado permanece como o bioma com a maior área desmatada, com 540.614 hectares, concentrando sozinho 54,9% do desmatamento do país, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior.


O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas: queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano.


Formações savânicas lideram o tipo de vegetação nativa mais ameaçada


Pelo terceiro ano consecutivo, as formações savânicas foram as mais afetadas pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada, seguidas das formações florestais, com 46,3%. Na Amazônia e Mata Atlântica predominou o desmatamento em formações florestais, enquanto nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, o predomínio foi de supressão das formações savânicas.


MATOPIBA e Mato Grosso concentram mais de 63% do desmatamento entre os estados


Os quatro estados do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) estão presentes entre as cinco unidades federativas com maior área desmatada em 2025. Junto com o Mato Grosso, eles respondem por mais de 63% da área total desmatada no Brasil no ano.


No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado com maior área desmatada: mais de 2 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no período. Contudo, em 2025, o estado registrou queda de 40% em relação ao ano anterior.


Entre os estados com maiores reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50 mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior.


Expansão agropecuária: o principal vetor de pressão


O desmatamento associado à expansão da agropecuária responde por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos. Esse vetor de pressão responde por 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025. No último ano, 99% da área desmatada associada ao garimpo estava concentrada na Amazônia, com maior incidência no Pará. Já os desmatamentos relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram quase que totalmente concentrados na Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada associada a esse vetor.


Os desmatamentos associados à expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculadas às áreas urbanizadas.


Canto do Buriti (PI) é o município com maior área desmatada


Mais da metade dos 5.572 municípios brasileiros (2.932) tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2025. O município de Canto do Buriti, no Piauí, lidera o ranking de maior área desmatada pela primeira vez, com 20.877 hectares desmatados. Este município da Caatinga também apresentou o maior evento de desmatamento detectado em 2025, com 20.834 hectares desmatados. A média diária de desmatamento neste município foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia. Os dez municípios com maior área desmatada responderam juntos por 15% do total do desmatamento validado no país, sendo que oito desses municípios estão localizados no MATOPIBA, região composta pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Sozinha, essa região concentrou 40% da perda de vegetação nativa do país e 70% do desmatamento registrado no Cerrado.


Unidades de Conservação e Terras Indígenas: as mais preservadas


Dentro de Unidades de Conservação, foram desmatados 46.257 hectares em 2025, redução de 21,4% em relação ao ano anterior. As UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e municipais) registraram queda de 55,8%, com 2.034 hectares desmatados. O Cerrado responde por 43,5% do desmatamento em UCs, sendo 97% desta área localizada em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A APA do Rio Preto (BA), com grande parte de seu território no Cerrado, foi a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025, com aumento de 44% em relação a 2024.


Em Terras Indígenas, a perda foi de 12.593 hectares, com redução de 22% em relação a 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permanece pelo terceiro ano consecutivo no topo do ranking (com 4.089 ha desmatados), apesar de ter registrado queda de 34% na área desmatada. Em 2025, 30% das TIs do Brasil registraram ao menos um evento de desmatamento. Entre 2019 e 2025, 1,7% (184.622 hectares) do total de terras desmatadas no Brasil estão em Terras Indígenas.


Sobre MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa. A rede MapBiomas ampliou-se para outros 13 países e também gera outros produtos como MapBiomas Alerta, MapBiomas Fogo, MapBiomas Água, MapBiomas Degradação e MapBiomas Solo.


Sobre o MapBiomas Alerta: O MapBiomas Alerta consolida informações fornecidas pelos vários sistemas que monitoram o desmatamento no Brasil, tais como DETER/INPE, SAD/IMAZON, GLAD/Univ. Maryland, SIRAD-X/ISA, SAD Cerrado/IPAM, SAD Caatinga/Geodatin-UEFS, SAD Pantanal/SOS Pantanal-ArcPlan, SAD Mata Atlântica/SOS Mata Atlântica-ArcPlan e SAD Pampa/UFRGS/Geokarten. Cada alerta é validado e refinado, gerando um laudo com imagens de satélite diárias em alta resolução espacial do antes e depois do desmatamento, além dos possíveis cruzamentos com limites geográficos (como biomas, estados, municípios e bacias hidrográficas), recortes fundiários (como Cadastro Ambiental Rural, Unidades de Conservação e Terras Indígenas) e situação administrativa (como existência de autorização, autuação ou embargo). O resultado é um laudo completo para cada evento de desmatamento detectado no Brasil. Todos os dados e laudos são disponibilizados de forma pública e gratuita em plataforma web (https://plataforma.alerta.mapbiomas.org/). O RAD-Relatório Anual do Desmatamento no Brasil com todos os dados até 2025 está disponível no site do MapBiomas Alerta (alerta.mapbiomas.org).

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