Casca de cupuaçu vira matéria-prima para projeto de MDF sustentável desenvolvido por estudantes no Amapá
Pesquisa apresentada em Porto Grande investiga o aproveitamento de resíduos do fruto amazônico na produção de um material com potencial para aplicações em móveis e objetos.
Estudantes da Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza, em Porto Grande, desenvolveram uma pesquisa que busca transformar um resíduo comum da produção de cupuaçu em matéria-prima para um material de menor impacto ambiental. O projeto BioPainel Amazônico 2.0 – MDF da Casca do Cupuaçu foi apresentado entre os dias 13 e 15 de agosto, durante a sexta edição do Encontro de Projetos de Iniciação Científica da instituição (EPICET 2026).
A proposta é investigar o potencial das cascas de cupuaçu para a produção de um tipo de MDF sustentável. A iniciativa parte do aproveitamento de um resíduo encontrado em abundância na região amazônica e procura agregar valor a esse material por meio da pesquisa e da experimentação científica.
O projeto foi desenvolvido pelas estudantes Ana Gabriela, Eloane Eloá e Cíntia Coelho, do 1º ano do ensino médio. Segundo Ana Gabriela, a ideia surgiu da possibilidade de reaproveitar recursos disponíveis no próprio território.
“Nosso projeto surgiu a partir da ideia de que a gente pode reutilizar os recursos locais que temos. No caso, é a reutilização da casca do cupuaçu, que é um resíduo abundante da Amazônia”, explica a estudante.
Pesquisa alia sustentabilidade e formação científica
Além da investigação sobre a produção do material, o projeto proporcionou às estudantes contato com etapas relacionadas à pesquisa científica, ao trabalho coletivo e à busca por alternativas para questões presentes na comunidade.
Para Eloane Eloá, a experiência também contribuiu para ampliar a percepção sobre soluções sustentáveis que podem ser desenvolvidas a partir de recursos locais.
“Aprendemos a solucionar e trazer soluções sustentáveis para a nossa comunidade. Também aprendemos a trabalhar em equipe e a ter mais ideias sustentáveis”, relata.
Entre as possibilidades de utilização estudadas pelas pesquisadoras estão a fabricação de móveis, peças decorativas, suportes para quadros e mesas simples. A equipe pretende continuar aperfeiçoando a proposta e avaliar novas aplicações para o material.
A estudante Cíntia Coelho afirma que o objetivo é avançar na pesquisa e buscar formas de tornar o projeto mais desenvolvido.
“A gente também visa ter algo mais profissional, visar o projeto de uma forma mais profissional e levar ele bem para frente”, afirma.
Iniciação científica aproxima estudantes da inovação
Realizado na Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza, o EPICET 2026 reuniu projetos desenvolvidos por estudantes e reforçou a utilização da pesquisa científica como ferramenta de aprendizagem.
No caso do BioPainel Amazônico 2.0, o trabalho parte de um elemento presente no cotidiano amazônico para investigar uma possibilidade de aproveitamento que combina ciência, sustentabilidade e inovação.
A experiência também demonstra como projetos de iniciação científica podem estimular estudantes do ensino médio a observar problemas e recursos do próprio território e transformá-los em temas de investigação.
O projeto foi apresentado com apoio do Governo do Amapá durante a programação do 6º Encontro de Projetos de Iniciação Científica da escola, realizado em Porto Grande.
Crédito da foto: Arquivo da Escola Elias Trajano.
Com informações da SEED

