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Mãe Luzia registra queda significativa nos casos de bebês nascidos com sífilis

No primeiro trimestre deste ano, o Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML) registrou uma redução significativa nos casos de bebês nascidos com sífilis. De acordo com dados estatísticos do hospital, foram registrados somente 19 casos nesse período, enquanto no primeiro trimestre do ano passado mais de 39 ocorrências foram contabilizadas, o que representa uma redução de 51%.

Essa diminuição deve-se à parceria firmada entre o Estado e o município, por meio da Coordenação de Vigilância Sanitária (CVS) e da Rede Cegonha, juntamente com a Coordenadoria de Saúde do Município.

O Estado tem o papel de reunir facilitadores para ajudar no processo de capacitação de profissionais de saúde do município, com o objetivo de assegurar que a rede de Atenção Básica de Saúde garanta acesso fácil ao usuário e ofereça teste rápido do exame de sangue às mães no período gestacional.

A coordenadora do município, Tânia Vilhena, lembra que as gestantes, no período do pré-natal, deverão fazer o teste, no mínimo, uma vez na gestação. “O ideal é que façam na primeira e na segunda semana de gravidez, para tentar evitar a contaminação”.

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, causada por uma bactéria chamada Treponema Pallidum, que pode prejudicar diversos órgãos ou tecidos da pele como ossos, mucosas, vísceras e o sistema nervoso central do indivíduo.

Quando a bactéria é transmitida da mãe para o feto, é chamada de sífilis congênita ou sífilis neonatal, uma doença grave que pode causar várias lesões estruturais ao recém-nascido, como parto prematuro, má formação, podendo até levar à morte fetal.

De acordo com o chefe do setor de ginecologia da maternidade, Benedito Carvalho, durante a gravidez a doença pode ser detectada por meio do exame de sangue VDRL, exigido na fase do pré-natal, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e com os exames de rotina. “Caso a mãe não tenha realizado corretamente o pré-natal, o exame VDRL também será exigido no pós-parto, antes da mãe receber alta”.

Segundo ele, quando a mãe dá entrada no hospital, já com o diagnóstico feito pela UBS, imediatamente, é exigido um novo exame de sangue e a tipagem sanguínea. Para tratar a paciente é necessário duas doses de benzetacil de sete em sete dias.

“A primeira é aplicada na maternidade e a segunda nos postos de saúde, de posse da receita médica recebida no hospital. Após o resultado do exame a mãe é imunizada e recebe alta, sendo orientada, junto ao pai, a procurar uma Unidade de Saúde para receber o devido tratamento. E o recém-nascido fica internado para receber as duas dosagens necessárias”, explica o especialista.

Carvalho informou, ainda, que o exame de sangue VDRL também serve para fazer o controle da doença. “O diagnóstico laboratorial tem grande importância e, às vezes, é a única maneira de identificar a doença, por isso é importante a mãe realizar o pré-natal corretamente”, enfatiza o médico.

A sífilis surge duas semanas após o contato sexual e possui três fases. A primeira surge como uma úlcera, ferida parecida com uma afta de boca. Por ser indolor, passa despercebida e desaparece após três a seis semanas sem precisar de tratamento. A segunda fase retorna disseminando o organismo com erupções na pele, palmas das mãos e solas dos pés, febre, mal-estar, perda do apetite, desaparecendo novamente sem precisar de tratamento.

A última fase se manifesta a partir de 20 anos de contaminação do organismo danificando órgãos como o cérebro, nervos, olhos, coração, vasos sanguíneos, fígado, ossos e articulações, além de problemas nos nervos, paralisia, cegueira, demência, e outros problemas de saúde. Algumas pessoas podem até morrer. A pessoa só chega à sífilis terciária se não receber tratamento anteriormente.

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