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Caso Manoelzinho: MPF/AP defende competência da Justiça Federal do Amapá

Defesa dos réus solicitou que eles sejam julgados pelo Tribunal do Júri da comarca de São Luiz, no Maranhão

O Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP) posicionou-se contrariamente ao pedido da defesa dos réus Manoel Moura Ferreira, o Manoelzinho, e Ronaldo Silva Lima, o Brabo, de que a competência do processo seja deslocada para a justiça estadual do Maranhão. O MPF reforça que a competência do caso cabe, obrigatoriamente, à Justiça Federal, e que o foro deve ser no Município de Macapá.

Manoelzinho e Brabo respondem pela morte de dois militares das forças armadas francesas e por tentativa de homicídio contra outros 22 integrantes das Forças Armadas e da Gendarmaria Nacional – força policial militar. Os crimes ocorreram em junho de 2012, e os dois acusados foram presos em Macapá. Atualmente, eles estão submetidos a prisão preventiva na penitenciária federal de Campo Grande/MS, enquanto aguardam julgamento por esses e por outros crimes. Se condenados, podem pegar penas que variam de 112 a 280 anos de prisão.

A defesa dos réus apresentou à Justiça Federal uma Exceção de Incompetência, fundada em dois argumentos. Primeiro, sustenta que, apesar de os crimes apurados estarem sujeitos à lei brasileira, não cabe à Justiça Federal processar e julgar. Além disso, argumenta que os acusados nunca residiram no Amapá, onde foram presos. Com base nessas duas alegações, a defesa solicitou à Justiça que o processo referente ao caso seja remetido à Justiça Estadual do Maranhão – estado de origem de Manoelzinho e Brabo – e que eles sejam julgados pelo Tribunal do Júri da Comarca de São Luís/MA.

No entendimento do MPF, os argumentos apresentados pela defesa não procedem. “A denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal foi baseada em pedido de cooperação internacional da República Francesa à República Federativa do Brasil. A perspectiva da competência do caso toma por base, então, compromisso formal da União – que representa o Estado brasileiro na ordem internacional – de processar quem venha a cometer crime em solo francês, caso não possa deferir sua extradição para esse fim”, explica o procurador da República André Estima.

Esse compromisso, ele acrescenta, não pode ser transferido aos estados-membros da nossa Federação, nem mesmo parcialmente, tendo em vista que estes dispõem de autonomia, nos termos da Constituição da República de 1988, e não podem estabelecer relações internacionais, que são de competência exclusiva da União. “Dessa forma, não há como afastar a competência da Justiça Federal”, argumenta.

Em relação ao deslocamento do processo para o Maranhão, por ser o estado de origem dos réus, mais uma vez o MPF sustenta a invalidade do argumento da defesa, visto que, embora sejam originários de outro estado, há provas de que, após cometer os crimes na Guiana Francesa, Manoelzinho e Ronaldo fugiram para Macapá e ficaram hospedados em um hotel no Centro da Capital, onde foram presos em flagrante, e buscavam um imóvel para alugar em Macapá.

“Além disso, nenhuma das testemunhas envolvidas no processo – o que inclui aquelas arroladas pela própria defesa – reside no Maranhão; todas vivem no Amapá ou na Guiana Francesa, o que faz do Amapá o foro mais benéfico para os próprios réus e para a razoável duração do processo, evitando oitivas por carta rogatória e grandes deslocamentos de testemunhas”, completa o procurador.

O processo segue na 4ª Vara da Seção Judiciária do Amapá da Justiça Federal, que decidirá sobre a exceção de incompetência suscitada pela defesa dos réus.

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Amapá

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