Pescadores se mobilizam contra comercialização ilegal do pirarucu

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Campanha “Pirarucu, só se for legal” é feita junto com Instituto Mamirauá

A redução do estoque de pirarucu no Amazonas fez o Ibama, há cerca de 20 anos, proibir a pesca e a comercialização da espécie no estado. As únicas exceções são os peixes provenientes do manejo e da psicultura, que é a criação em viveiros. Apesar da restrição, a venda irregular persiste, principalmente, no Médio Solimões, de acordo com o Instituto Mamirauá.

Neste ano, cerca de 9.500 kg de pirarucu ilegal foram apreendidos por órgãos fiscalizadores na região. E esse número pode ser ainda maior, segundo a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres.

“A gente sabe que talvez seja sete ou oito ou até dez vezes maior do que isso porque nós trabalhamos com dados disponibilizados pelas secretarias de meio ambiente dos municípios junto com algumas ações de fiscalizações que foram feitas. Isso é muito pouco diante do tanto de pirarucu que a gente vê disponibilizado nas feiras e mercados todos os dias ao longo de todo o ano”, alerta Ana Cláudia.

Para ajudar a combater o problema no Médio Solimões, a instituição de pesquisa e pescadores dos municípios de Tefé, Alvarães e Maraã estão promovendo a campanha “Pirarucu, só se for legal”. A ação é realizada por meio de feiras de pirarucu manejado e de palestras em escolas públicas. Ana Cláudia Torres diz que a ideia é orientar também a população sobre o que significa o manejo.

“O que a gente percebe é que o termo ‘manejo’ ainda não é muito claro para a população. Então daí é que veio essa questão da campanha de substituir o termo “manejado” por “pirarucu legal”, trabalhando essa questão da legalidade porque de fato é isso que faz a diferença entre o pirarucu que normalmente é encontrado nas feiras e mercados, do pirarucu proveniente dessas ações de manejo. No sentido do procedimento que é adotado ao longo do ano, da proteção das áreas, do estabelecimento de uma cota conservativa. Tudo isso garante a sustentabilidade”, explica Ana Cláudia.

De acordo com a coordenadora, os pirarucus oriundos de manejo possuem um lacre com um número de identificação. O consumidor que adquirir o produto pode atestar a procedência do peixe inserindo o código no sistema de rastreamento no site do instituto.

Segundo o Instituto Mamirauá, no ano passado, foram comercializadas 615 toneladas de pirarucu manejado, o que corresponde a mais de 11 mil peixes. A atividade gerou mais de R$ 2,5 milhões em faturamento total para os envolvidos no trabalho.

As feiras de pirarucu manejado em Tefé serão realizadas nos dias 14 e 15 deste mês. Em Alvarães estão previstas para novembro e em Maraã, em dezembro, ainda sem dias definidos.

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