Veganismo: preocupação com animais e meio ambiente

Movimento nasceu na década de 1940 para ir além da dieta vegetariana e se tornar um estilo de vida baseado na compaixão.

Por Ricardo Gouveia

Porcos resgatados após acidente com caminhão no Rodoanel em São Paulo, em 2015
Crédito: Cintia Frattini / Arquivo Pessoal

O movimento vegano surgiu em 1944 e hoje, só no Brasil, é estimado que cinco milhões de pessoas pratiquem esse estilo de vida. Mais do que não comer carne, o vegano exclui, na medida do possível, a exploração de qualquer animal. Além da compaixão, a preocupação com a preservação do planeta se tornou uma das bandeiras do movimento.

Existem vários motivos para uma pessoa se tornar vegana. Mas geralmente a compaixão pelos animais é a razão principal para alguém cortar qualquer ingrediente de origem animal do prato. E muito mais do que isso: nada de roupas de couro ou produtos que fazem testes em animais.

Um dos grandes nomes atuantes da causa vegetariana no mundo é o ex-beatle Paul McCartney. Ele sempre conta que parou de comer carne num dia em que estava pescando. Ele chegou à conclusão de que não precisava matar animais para viver.

‘As pessoas me perguntam se eu não sinto falta de uma boa carne, e eu respondo que de jeito nenhum. Eu nunca voltaria a comer. Eu gosto de ser vegetariano. É maravilhoso. Posso andar em um campo com animais com a consciência tranquila’, afirmou o músico.

No Brasil, uma das grandes ativistas se chama Nina Rosa Jacob e vem de uma família que trabalhava com a pecuária. Em 2000, ela fundou o Instituto Nina Rosa com o objetivo de divulgar uma educação mais humanitária em relação aos animais. Ela é produtora de filmes que mostram os maus tratos contra animais na indústria e também em laboratórios. ‘Assim como a gente não precisa consumir o trabalho escravo, a gente não precisa consumir a exploração animal’, diz a ativista.

Mas além da compaixão pelos animais, os veganos defendem a dieta como forma de preservação ambiental. Um simples pedaço de bife de pouco mais de 200 gramas, por exemplo, envolve muitos danos. Tomar banhos mais curtos até ajuda a economizar água. Mas deixar de comer esse bife por apenas um dia poupa 792 litros, mais ou menos o equivalente a 16 banhos. O mesmo vale para a emissão de gases poluentes. Comer esse bife tem o mesmo impacto do que circular de carro por 240 quilômetros. Sem contar que, ao evitar o bife em apenas um dia, poupa-se mais de seis metros quadrados de áreas desmatadas.

O climatologista Carlos Nobre, que participou do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, explica que a alimentação sem nenhum produto de origem animal tem um impacto muito menor no meio ambiente.

‘A carne bovina emite, por quilo de proteína gerado, cinco vezes mais do que outros tipos de carne. Comparado com proteína vegetal, o índice pode ser até 30 vezes maior.’

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação estima que o setor pecuário é responsável por 14,5% das emissões de gases do efeito estufa. O percentual é maior do que o emitido pelo setor de transportes. No Brasil maior ainda: cerca de metade das nossas emissões está relacionada à pecuária, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

CBN

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