Potencialidades do Amazonas ganharão investimentos

De acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), tem-se discutido em investir em outros segmentos explorando a biodiversidade da Amazônia.

Geizyara Brandão
Manaus

 

O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) faz parte do plano estratégico da Suframa para implementar a Bioeconomia no Amazonas. Foto: Márcio Silva

Com a crise que afetou o Brasil e, principalmente, o setor industrial que registrou a queda de 6,14% em 2016 no Polo Industrial de Manaus, de acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), tem-se discutido em investir em outros segmentos explorando a biodiversidade da Amazônia.

A superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, afirmou que o Plano Diretor Industrial foi construído no ano passado com “dois caminhos”. “Um caminho é diversificar o que já está sendo produzido na Zona Franca de Manaus (ZFM) e o outro caminho é diversificar o modelo, partir para um modelo que tenha como base a bioindústria e a matéria-prima regional, o setor primário. O setor primário tem um grande potencial”, destacou.

A Zona Franca Verde também está inserida no plano estratégico da autarquia e, segundo a superintendente, foi o primeiro passo para que pudesse ser discutida a matéria-prima regional com o objetivo de fomentar o primeiro setor. “Com a Zona Franca Verde você passa a ter os incentivos da ZFM nas áreas de livre comércio, desde que esses produtos sejam à base da matéria-prima regional”, disse.

Para Garcia, apesar do modelo consolidado existente, é preciso focar no que a região pode oferecer para melhoria na economia. “A Biodiversidade é um aliado na nossa região, nós temos que aprender a valorizar a nossa biodiversidade, transformá-la em produto e saber vender”, explicou.

Outro ponto para o desenvolvimento da bioindústria, que está incluso no plano estratégico da Suframa, é o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que vem funcionando por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) para constituição da personalidade jurídica. “O CBA ainda não foi, de fato, desembaraçado. Ele, no papel, já avançou muito”, afirmou a superintendente.

O coordenador geral do CBA, Adrian Pohlit, ressalta que há um interesse social em desenvolver a economia local baseada na biotecnologia, a partir da biodiversidade. Pohlit assegura que neste ano será destinado aos ajustes. “Espero que nós possamos passar esse ano ajustando, adaptando a gestão para ele realmente atender as necessidades da Suframa, dessa região”, contou.

Criado em 2002, o CBA pleiteia sua transformação em Organização Social (OS) que, conforme o coordenador geral, é o que irá possibilitar que a instituição possa alavancar a bioeconomia.

Nova Matriz Econômica

A nova matriz econômica ambiental do Amazonas receberá investimento na ordem de R$ 450 milhões de reais para investimentos no interior do Estado, com o objetivo de focar nas potencialidades de cada município.

O secretário de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), José Jorge do Nascimento Jr., explica que a nova matriz é o resultado de um estudo dos últimos dois anos, um produto que identifica as potencialidades e serve como uma “ferramenta de orientação complementar” do Pólo Industrial de Manaus (PIM). “O que ela está dizendo: ‘vamos complementar a riqueza da Zona Franca de Manaus com seu pólo industrial e fazer com que esse momento possamos desconcentrar o desenvolvimento’”, explanou.

“Via de mão dupla” foi como o secretário denominou a matriz econômica ambiental. “O PIM com a sua riqueza gerada dando condições para que o governo possa fomentar o desenvolvimento do interior do Estado e esse desenvolvimento acaba servindo de fonte de insumos e materiais para o PIM”, disse.

Minério, piscicultura e fruticultura foram os segmentos elencados por Nascimento como potencialidades nas cidades. Segundo o titular da Seplancti, o governador José Melo (Pros) está viajando aos municípios citando as devidas competências. Nova Olinda do Norte possui um potencial forte em piscicultura e em Autazes o minério.

Passada a fase de consolidação da nova matriz econômica, o próximo passo é a implementação. “Acreditamos que nos próximos dois anos já consigamos obter resultados práticos da implementação dessa matriz”, afirmou.

 

A Crítica

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